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2012-09-15 11:54h

«Portugal tem de parar de fazer o que lhe mandam»

O investigador norte-americano Andrew Zolli comparou este sábado Portugal à Islândia, afirmando que ambos, países pequenos, vieram de uma mesma origem pobre e analfabeta, atravessando uma profunda crise económica nos últimos anos.

A diferença? A forma como os dois países responderam perante a adversidade. «A Islândia encontrou a sua voz autêntica para resolver os seus problemas e não fez aquilo que os outros lhe mandaram, como o FMI, a Europa ou os Estados Unidos», disse Andrew Zolli numa sala praticamente cheia do Centro Cultural de Belém, na sessão de abertura deste sábado do encontro «Presente no Futuro», organizada pela Fundação Manuel dos Santos.

Resultado: a Islândia é um país bem sucedido, a recuperar da crise. Portugal é um país afundado numa profunda recessão.

Investigador compara caso nacional com o islandês e diz que o nosso país deve afirmar-se ao mundo Então e a ligação com o euro? E o facto de sermos em maior número do que os islandeses? - perguntou um dos presentes na plateia. «Eu não disse que a resposta da Islândia deverá ser a resposta de toda a gente. Nem digo que a reposta de Portugal deve ser literalmente a mesma». Mas, não «interferir nos assuntos desta casa», mas interferindo, Zolli voltou a sublinhar as semelhanças entre os países, deixando a porta aberta para a autonomia de Portugal.

«Eu sei o que a Islândia quer dizer ao mundo. Mas não sei o que Portugal quer dizer ao mundo. Portugal tem de descobrir isso por ele próprio», disse, no final da palestra, à Agência Financeira.

E Zolli deixou uma dica para sairmos da crise: «Portugal investe pouco no seu turismo cultural. Passei uma semana à procura da cultura atual, dos artistas, artesãos, designers, etc. E só me mostraram coisas muito bonitas, mas do passado, com centenas de anos. E depois percebi. Os artistas estão tão dependentes dos apoios do Estado, não sabem agora, com o país em recessão, promoverem-se, venderem-se».

Assim, «o país deixou de ganhar os milhares de dólares que eu estava disposto a gastar, se tivesse encontrado alguém».

Opinião bem diferente (e assumidamente mais pessimista) tem José Pacheco Pereira que, na palestra seguinte, sobre a questão «O Futuro é uma fatalidade?», afirmou: «O caso da Islândia é muito bonito, mas ainda não se verificou que se possa substituir a Constituição de um país, por uma assembleia popular».

«Penso que nada se muda com discursos de esperança. Muito pelo contrário», respondeu Pacheco Pereira quando apontado o seu pessimismo.

Já questionado por um elemento da plateia: «Mais do que pensar no futuro, eu prefiro perguntar o que queriam que acontecesse hoje?», Pacheco Pereira disse que gostaria que «todas as pessoas ganhassem dinheiro. Porque riqueza é felicidade».

No mesmo palco estava o historiador Rui Ramos, que respondeu, a rir, «o meu medo são os acontecimentos. Preferiria que não acontecesse nada». Já Henrique Cayatte, também convidado para o encontro, disse: «Quero que as pessoas se revoltem hoje» - merecendo um caloroso aplauso de toda a plateia.



Paulo Almoster leu esta notícia

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