O secretário-geral da CGTP criticou esta terça-feira a política «de baixos salários» promovida pelo Governo e indignou-se com o facto do Instituto de Emprego apoiar financeiramente empresas que oferecem trabalho a arquitetos por 500 euros.
«O Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) está a ser um elemento dinamizador de propostas baseadas nos baixos salários», denunciou Arménio Carlos, mostrando uma oferta do IEFP para a contratação de um arquiteto, exigindo mestrado e conhecimentos profissionais, em troca de um contrato de trabalho por seis meses.
«Isto é uma vergonha e tem de acabar», criticou o líder sindical numa conferência de imprensa, salientando que esta oferta de trabalho é «financiada e apoiada com dinheiro da segurança Social e do erário público», já que beneficia da medida Estímulo 2012 que permite às entidades empregadoras receberem um apoio financeiro correspondente a 50% da retribuição mensal paga ao desempregado contratado.
CGTP critica IEFP por «dinamizar» propostas baseadas em baixos salários
Um outro anúncio recolhido pela CGTP no portal de empregos do IEFP oferece 485 euros a um engenheiro civil, «preferencialmente com experiência profissional», que terá de cumprir um horário das 09:00 às 07:00.
Aos «maus exemplos» do trabalho precário promovido pelo IEFP, que corresponde, segundo Arménio Carlos, a 85% das ofertas, o dirigente da CGTP juntou o da subcontratação do Estado a valores que rondam os 4 € para profissionais qualificados (como no caso dos enfermeiros) e assinalou que «o Governo tem de cumprir a lei e a constituição e tem de abrir concurso para contratar estes trabalhadores».
Arménio Carlos afirmou que está no momento de «fazer um alerta vermelho relativamente a estas medidas» e que «estão criadas condições para que o Tribunal Constitucional considere inconstitucional» um conjunto de normas que fazem parte do novo Código de Trabalho e que se podem traduzir, no final de cada ano, numa perda de três salários para os trabalhadores.
| Sofia Grilo leu esta notícia |