O Banco Central Europeu recomendou aos países que estão a sofrer altas taxas de desemprego uma bateria de medidas estruturais que inclui reduzir mais os salários e as indemnizações por despedimento.
Isto numa altura em que se sabe que os ordenados líquidos caíram 107 euros só nos últimos dois anos em Portugal.
A entidade presidida por Mario Draghi também aplaudiu a reforma laboral espanhola, chegando a afirmar que se esta se «tivesse aplicado anos antes» a destruição de emprego teria sido reduzida.
Aumento do desemprego em Portugal deve-se ao facto de o ajustamento salarial ter começado tarde
O BCE sugere que o aumento do desemprego, no caso de Portugal, se deve ao facto de o ajustamento salarial ter começado tarde; e no caso de Espanha e Chipre, de essa diminuição salarial estar a decorrer de forma «limitada».
O relatório mensal do BCE inclui uma análise sobre a situação económica e monetária da Zona Euro, num anexo intitulado «Os processos de ajuste na zona euro: progressos na Irlanda, Grécia, Espanha, Chipre e Portugal». No final do relatório, o BCE alerta para a necessidade de mais reformas estruturais e fiscais, e esboça uma série de medidas para «aumentar a competitividade global, reduzir o desemprego e restaurar a sustentabilidade das finanças públicas».
Baixar salário mínimo é uma das sugestões
Para aumentar a competitividade, o BCE considera «urgente» reduzir os «custos laborais e as margens de lucro excessivas», especialmente nos países com uma alta taxa de desemprego. Primeiro, o banco central sugere medidas como «reduzir o salário mínimo», «relaxar as leis de proteção laboral», «permitir o contrato individual de trabalho» e «abolir a correlação entre salários e inflação».
Mas reduzir os custos laborais não é suficiente para incrementar a produtividade «permanentemente». O BCE deixa como exemplos medidas adicionais, como privatizações, «inovação nos processos produtivos com a criação e invenção de novos produtos», «reforçar a formação da mão-de-obra» e «iniciativas para favorecer a criação de negócios».
| Margarida Marinho leu esta notícia |