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2012-08-03 20:30h

Quer viajar mas tem pouco dinheiro? É simples, vá de boleia

«Dou boleias há anos. Não pagam os gastos, mas permite-me ir a casa todos os fins-de-semana». Eusébio Resende, 38 anos, é um utilizador regular da página do Facebook «Boleias Porto-Lisboa e Lisboa-Porto». Todos os fins-de-semana viaja de Lisboa até Vila do Conde, de onde é natural, com paragens obrigatórias consoante as pessoas que transporta.

«É muito prático. As pessoas que fazem parte do grupo são sempre conhecidas de algum dos membros: nunca vivi uma situação complicada e permite uma poupança maior», assume Eusébio Resende. Uma poupança para quem dá boleia e para quem a recebe. O preço varia consoante «o sentido de justiça de cada um».

«Já levei 12 euros por lugar, agora faço 10 euros, um desconto de Verão», diz, a sorrir, o informático. Contas feitas, «se levar quatro pessoas numa viagem, não paga todos os custos, mas ajuda bastante».

Cresce o número de comunidades nas redes sociais que partilham o automóvel. Tudo para poupar E a moda parece ter pegado. Há boleias para todo o país, de Lisboa-Faro, Lisboa-Fátima, e vice-versa. Há boleias para os vários festivais de verão e até boleias organizadas só para animais.

Pedir boleia: agora é no Facebook

Esticar o dedo já não compensa. Se quer aventurar-se, mas com relativa segurança, a forma mais prática é recorrer às redes sociais. Só a página «Boleias Porto-Lisboa» tem já 4.472 membros. «Há um ano eram cerca de 300», recorda Eusébio Resende, ele próprio administrador do «Boleias em Portugal», fundado pela sua amiga Gabriela Libânio.

Já Rodrigo Pereira, 20 anos, estudante em Lisboa e criador do «Boleias Lisboa-Fátima, Fátima-Lisboa», mostra-se menos satisfeito: apesar do grupo, recentemente criado, contar já com mais de 50 membros, sente-se «frustrado» porque considera que estudantes e trabalhadores deveriam ser «mais ativos na procura de alternativas mais económicas», uma necessidade «óbvia» perante os «brutais aumentos nos setores dos transportes e dos combustíveis».

Estes grupos surgem para colmatar as necessidades de muitos portugueses, vindos de todo o país, que se deslocam para outras cidades para trabalhar, estudar, etc.

«Já fui muitas vezes sozinho de carro para casa e, depois, vir a saber que várias pessoas precisavam de boleia. Escolhia a opção altamente inimiga do ambiente e muito cara também», conta Rodrigo Pereira, natural de Fátima.

Iniciativas dos cidadãos à boleia do que, em tempos, fez a Galp. Criou o «Galpshare», uma iniciativa para partilha de viagens. Há também o site UrbanWay.com, de partilha de carro em Lisboa e no Porto.

Já a Carris disponibiliza o «Mob Carsharing», que aluga automóveis à hora. Tem uma frota de dez veículos, com oito parques espalhados por Lisboa, ao dispor de particulares e empresas. Combustível, parque de estacionamento, seguro, inspeções, selos de circulação, revisões e limpeza são por conta da empresa.

«Tinha um carro um pouco velho e decidi vendê-lo. Agora utilizo o Mob Car sempre que quero visitar amigos fora de Lisboa, tenho um encontro ou uma festa fora da cidade... Faço o mesmo quando preciso de ir às compras», contou Nuno Jacinto, arquiteto de 38 anos, a morar na capital que, no dia-a-dia, utiliza o metro e os autocarros.

E porque não prefere o rent-a-car? «Não me dá a mesma flexibilidade. Por exemplo, uma vez por semana ou de 15 em 15 dias, uso o Mob Car para ir às compras. Gasto cerca de 2,50 euros a 3 euros. É muito mais barato do que alugar um carro para o dia todo», explica Nuno Jacinto.

Satisfeito com a escolha, Nuno Jacinto não pensa comprar novo automóvel. «Já fiz as contas e não compensa. É mais económico e mais racional, porque nos obriga a planear com antecedência o que se vai fazer e o tempo que se vai levar a fazê-lo. Além disso, não gosto muito de carros».

As alternativas que já se alastraram aos animais de companhia. Para eles, há no Facebook o «Boleias de Animais» e o «Switch Ride - Boleias de Animais».



Sofia Grilo leu esta notícia

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