As relações num casal são complexas, e é difícil estabelecer padrões. Mas o Instituto Nacional de Estatísticas francês decidiu meter a colher no assunto, pelo menos naquilo que pode ser quantificado. E foi analisar a forma como os casais lidam com os rendimentos.
O inquérito do Insee conclui que perto de dois terços dos casais franceses juntam os seus rendimentos: 64 por cento, mais precisamente. A partir daí chegou a variações curiosas: essa percentagem vai diminuindo à medida que o dinheiro ganho pelo casal aumenta. E também diminui nos casos de nível de habilitações académicas mais elevadas.
Outra circunstância em que é menos frequente o casal partilhar rendimentos é quando um dos elementos já teve uma experiência de vida comum anterior. Como diz o ditado, gato escaldado.
Estudo mete a colher nas tendências de divisão dos rendimentos em família
De resto, são 18 por cento os casais que optam pela separação total dos rendimentos e igualmente 18 aqueles que optam por uma partilha parcial.
O estudo incide sobre casais que coabitam há pelo menos um ano e onde pelo menos um dos elementos tem trabalho ativo, o que representa metade dos casais residentes em França. Desses, a maior percentagem de casais que partilham os rendimentos são aqueles que estão formalmente casados. Um resultado normal, porque tal como em Portugal o sistema de partilha estabelecido «por defeito» na legislação para um casamento é a comunhão de adquiridos. Também é mais comum esta partilha quando o casal tem filhos.
Nos casos de partilha total também há lugar a negociações, conclui o estudo, quando se trata de decidir o dinheiro que cada um dos elementos reserva para gastos pessoais. E aí os homens dizem-se mais dialogantes que as mulheres. Cerca de 40 por cento declararam discutir sempre com o parceiro as suas compras, enquanto apenas 20 por cento das mulheres dizem ter a mesma atitude. Apenas 12 por cento dos homens dizem nunca consultar o outro elemento do casal, contra 20 por cento das mulheres.
| Henrique Garcia leu esta notícia |