O espetáculo da eleição da Miss Mundo neste sábado terá um cenário glamoroso, como sempre, mas para lá do palco onde desfilarão as candidatas ao título de maior beldade do planeta está um cenário estranho. O evento decorre este ano em Ordos, na mais famosa cidade-fantasma da China.
Construída nas estepes da Mongólia, junto ao deserto de Gobi, Ordos cresceu a partir de uma exploração mineira vizinha e a «cidade nova» de Kangbashi surgiu de uma onda de euforia imobiliária que criou casas para um milhão de habitantes, mas tem a maioria desses edifícios vazios e as ruas desertas.
Kangbashi, em Ordos, é apresentado como o maior exemplo das contradições do crescimento chinês, e do risco do fim da bolha imobiliária, com a oferta acima da procura e do nível de vida médio dos chineses. Se bem que os seus defensores digam que muitas das casas estão efetivamente vendidas, mas os seus donos não precisam de lá morar e deixam-nas vazias.
Concurso decorre neste sábado num dos maiores exemplos da euforia imobiliária do regime chinês
É um de muitos exemplos de grandes projetos imobiliários na China que estão vazios, fruto da política de construção maciça dos últimos anos. E que levantam dúvidas sobre a saúde da economia chinesa, a segunda maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, que revela sinais de abrandamento.
Por trás deste fenómeno está a necessidade de manter o mercado ativo, como observa um analista britânico à BBC. «Falámos muito das cidades fantasma na Irlanda e na Espanha, mas a China é a Irlanda e a Espanha com esteróides», diz Kevin Doran, gestor de fundos de investimento na Brown Shipley: «Há sete ou oito milhões de pessoas a entrar no mercado de trabalho na China todos os anos e é preciso dar-lhes algo para fazer. Talvez há 10 ou 15 anos eles estivessem a fazer coisas com sentido, estradas, caminhos de ferro, centrais elétricas, mas agora chegaram ao ponto do investimento pelo investimento.»
Veja na GALERIA DE FOTOS essas cidades fantasma e outros empreendimentos megalómanos dos anos de euforia chinesa.
| Paulo Almoster leu esta notícia |