O consumo privado e o investimento afundaram em Portugal, mas a atividade económica aumentou em junho, conseguindo deixar para trás o «acentuado perfil negativo» que vinha apresentando desde setembro de 2010. Agora, está nos -2,4%, uma melhoria de uma décima face a maio, indica a Síntese Económica de Conjuntura divulgada esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.
É um valor ainda negativo, é certo, mas afasta-se da tendência registada até aqui: todos os meses a variação era mais negativa que no anterior e agora isso não acontece. E não acontece pela primeira vez em quase dois anos.
Pela positiva, nos indicadores do INE, há ainda a registar a confiança dos consumidores: não estão tão pessimistas, uma vez que este indicador melhorou, estando no nível mais alto, embora ainda negativo, desde há um ano (nos -50,4 pontos negativos; -51,5 em junho). Já na Zona Euro verificou-se um agravamento dos indicadores quer de sentimento económico, quer confiança dos consumidores.
Consumidores não estão tão pessimistas: nível ainda é negativo, mas é o melhor desde há um ano
Neste sobe e desce de indicadores macroeconómicos, uma nota também para os empresários da indústria transformadora dos tradicionais países clientes de Portugal, que estavam ainda mais pessimistas em julho quanto à evolução da sua carteira de encomendas (o indicador atingiu -28,2 pontos em julho, o valor mais baixo desde 2010).
O indicador de clima económico, por sua vez, estabilizou em Portugal, pelo que suspendeu «o movimento ascendente iniciado em março, após registar o mínimo da série em fevereiro».
Embora o consumo privado tenha registado «uma diminuição homóloga intensa em junho», a verdade é que estabilizou face a maio.
Entre os indicadores relevantes do consumo privado, há a destacar o contributo negativo das vendas de gasolina (-10,7%) e das vendas de automóveis ligeiros de passageiros (-35,5%) em Portugal.
O indicador de consumo privado e de investimento (FBCF) «apresentou uma redução ligeiramente mais significativa, em resultado da evolução negativa mais acentuada da componente de construção».
O INE confirma, ainda que, de acordo com a estimativa rápida, o PIB em volume apresentou uma taxa de variação homóloga de -3,3% no segundo trimestre de 2012 que resultou, em muito, «do contributo negativo mais expressivo da procura interna».
Relativamente ao comércio internacional de bens, em termos nominais, as exportações e importações registaram variações homólogas de 6,8% e -8,3% em junho (6,6% e -10,0% no mês
anterior), respetivamente.
| Henrique Garcia leu esta notícia |