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2012-07-20 12:55h

Eurogrupo aprova termos do resgate de Espanha

Atualizada às 14h30 com pedido de ajuda de Valência

O Eurogrupo acabou de aprovar os termos do resgate à banca espanhola. Reunidos em conferência telefónica, os ministros das Finanças da Zona Euro deram assim, formalmente, «luz verde» à ajuda europeia ao país de nuestros hermanos, uma decisão aplaudida pelo FMI. Isto no dia que Espanha reviu esta sexta-feira as previsões para a economia: Espanha só cresce em 2014.

«Formalizámos o que discutimos nas duas anteriores reuniões do Eurogrupo. Aprovámos formalmente o memorando que estabelece as condições mediante as quais Espanha terá direito ao empréstimo para recapitalizar os seus bancos», adiantou o ministro das Finanças do Luxemburgo, Luc Frieden, citado pela Reuters.

Valor exato da ajuda só será determinado em setembro Já o comissário europeu para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, enfatizou que «o objetivo deste programa é muito claro: garantir que os bancos de Espanha permaneçam saudáveis, efetivamente regulados e rigorosamente supervisionados, capazes de alimentar o crescimento económico sustentável».

O colega luxemburguês de Rehn adiantou também «a aprovação de todos os 17 ministros significa que o programa pode avançar. O dinheiro não será disponibilizado imediatamente por causa do trabalho de análise sobre as necessidades específicas dos bancos que está a decorrer».

O Eurogrupo emitiu entretanto uma declaração na qual diz que o valor exato do resgate só será determinado em setembro.

O que se sabe, nesta matéria, é o mesmo que antes. A UE disponibiliza até 100 mil milhões para o resgate ao setor bancário, sendo que duas auditorias já divulgadas revelam que as necessidades deverão ir até 62 mil milhões.

As condições devem ser bem mais favoráveis que aquelas que a troika impôs a Portugal, mas menos «leves» do que aquilo que o executivo de Mariano Rajoy «vendeu» inicialmente ao povo espanhol.

O comunicado dos líderes europeus sublinha que, em troca do empréstimo, Espanha terá de reestruturar o setor bancário e os seus ativos, e melhorar a governação e a regulação.

«O Eurogrupo está confiante que a Espanha irá honrar os seus compromissos» e corrigir o seu «défice excessivo», cumprindo as «reformas estruturais» acordadas com vista a «corrigir desequilíbrios macroeconómicos» no país. E mais: as «reformas complementares ao presente acordo financeiro contribuirão para assegurar o regresso» do setor bancário «à solidez e estabilidade». O resgate permitirá «salvaguardar a estabilidade financeira na Zona Euro como um todo».

O documento frisa ainda que «o progresso nessas áreas será revisto de perto e regularmente, em paralelo com as condicionalidades do setor financeiro».

A tão aguardada decisão formal, e favorável, dos líderes europeus surge no dia em que o risco de Espanha disparou para um novo recorde e em que os juros da dívida do país se aproximam perigosamente do valor mais alto de sempre, acima dos 7%.

Apesar do «fumo branco» vindo da reunião ao mais alto nível, a bolsa de Madrid acentuou as perdas e afunda 4,5%, começando a levar a Europa por arrasto. O pessimismo agravou-se depois de Valência ter pedido, também hoje, ajuda. Uma ajuda que não é para a banca. O resgate a sério estará prestes a bater à porta de Espanha no seu todo?



João Maia Abreu leu esta notícia

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