A chanceler alemã Angela Merkel assegurou esta quarta-feira que conseguiu obter um acordo com o primeiro-ministro italiano Mario Monti, ao desmentir um pacto forçado no decurso da recente cimeira europeia.
«Não vivemos um momento fácil, mas pretendemos ultrapassar em conjunto as dificuldades», referiu em Roma durante uma conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo italiano, no final de uma cimeira bilateral.
Após recordar que Monti, pela sua experiência de comissário europeu, «conhece muito bem e aprecia» a Alemanha, a chefe do governo de Berlim elogiou o seu homólogo «pelo grande número de reformas concretizadas num breve espaço de tempo» e salientou as reformas estruturais (reformas e pensões, liberalizações e alteração da lei laboral) que «emitiram sinais importantes» aos mercados.
Chanceler desmente pacto forçado na recente cimeira europeia
«Na cimeira de Bruxelas, encontrámos soluções satisfatórias para todos. Para mim, o importante é que o Conselho Europeu tenha tomado as decisões na base das regras em vigor», sublinhou, numa referência ao acordo obtido entre os parceiros europeus face à crise dos mercados.
O acordo prevê designadamente a compra de dívida soberana no mercado secundário pelos fundos de resgate europeus, e a possibilidade de uma recapitalização direta dos bancos por estes fundos sem agravar as dívidas nacionais. As duas medidas foram exigidas pela Itália e por Espanha.
Merkel também se pronunciou sobre as constantes críticas relacionadas com a «austeridade», e recordou que cinco milhões de alemães estavam desempregados quando foi eleita chanceler em 2005, e que reduzir esse número era «a única obrigação» do seu executivo.
Na Alemanha, as reformas estruturais, incluindo a que aumentou a idade da reforma «suscitaram a cólera contra nós», mas «eram reformas justas para os nossos filhos e netos».
Numa referência à sua experiência na RDA (a antiga parte oriental comunista da Alemanha), disse ter retido que «apenas uma acrescida competitividade» pode permitir a criação de empregos. É um «credo», sublinhou.
Por sua vez, e ao dirigir-se a Merkel, Monti exprimiu a convicção de que os dois líderes trabalham «muito bem em conjunto». «Ambos acreditamos numa economia social de mercado [Sozialmarktwirtschaft, um conceito de origem alemã] altamente competitiva».
| Lurdes Baeta leu esta notícia |