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2012-09-15 14:56h

Patrick de Barros leva «nega» do Governo sobre nuclear

Patrick Monteiro de Barros voltou à carga quanto ao seu projeto de criar uma central nuclear em Portugal. Depois da recusa da equipa de José Sócrates, o empresário tentou agora com o novo executivo. Mas, a resposta foi a mesma.

«Depois das duas conversas que tive com o ministro da Economia, a meu pedido, o que ele me disse é que o momento não é o oportuno», disse à Agência Financeira Patrick Monteiro de Barros, à margem da conferência «A população abusa dos recursos disponíveis?», que decorreu no encontro «Presente no Futuro», que decorre no CCB.

Sem mostrar qualquer disponibilidade para um diálogo futuro, o Governo terá mais preocupado com outras matérias, defendeu o empresário: «O Governo está obcecado em resolver a herança do anterior governo em termos energéticos».

Empresário apresentou a proposta ao ministro da Economia que considerou que «o momento não é o oportuno» «A nossa energia é uma das mais caras da Europa e a culpa é do défice tarifário gigantesco que temos que é mais elevado do que a venda da EDP», criticou, acrescentando: «Investiram-se 5 ou 6 milhões de euros nas renováveis, com um sobrecusto na ordem dos 10 milhões de euros e, mesmo assim, temos um défice gigantesco».

«O problema em Portugal é que, nos últimos dez anos, a energia foi entregue a pessoas que não percebem nada do assunto. Não foi feito, nem pelo governo anterior nem por este, uma avaliação energética global. Nós apostamos com as fichas de todos nós, pois saíram do nosso bolso, e ainda há muito para pagar, mas sem sabermos os verdadeiros impactos».

Neste sentido, Patrick Monteiro de Barros propõe a realização de um estudo, «buscando universidades competentes no estrangeiro, para definir as vantagens e desvantagens do nuclear».

Um estudo que, admite, custaria «uns largos milhões de euros» aos cofres públicos. Uma espécie da contradição pois, mais à frente, questionado sobre a crise económica profunda que o país atravessa, o empresário português apontou o dedo «aos gastos acima das nossas possibilidades feitos durante os últimos anos».

Quanto ao combate ao défice tarifário, o empresário apresentou três soluções: «Acabar com a subsidiação num horizonte muito curto, acabar com um sistema de preços que não faz sentido e
avaliar todas as possibilidades (do fotovoltaico ao nuclear)».

Já na conferência, Patrick Monteiro de Barros defendeu que «a fonte de energia mais segura do mundo é a nuclear», acrescentando que não se contabiliza «uma única pessoa» morta por causa do nuclear «no mundo ocidental».

Palavras e interesses criticados pela investigadora no Instituto de Ciências Sociais, Luísa Schmidt para quem «a insistência de Patrick de Barros só pode ser ao nível do humor», classificando as posições do empresário como a «pressão de um lobbie».

Para Luísa Scmidt, «um mix energético é fundamental» e que as energias limpas serão aproveitadas mais pelas gerações futuras do que pela atual.

«O importante é educar a sociedade, porque ainda há muita desinformação e, isso, gera manipulação», disse a especialista portuguesa.

À margem desta discussão esteve o economista José Tavares que lançou um repto para a discussão destes assuntos: «Devemos todos fazer o que fazia uma certa tribo de índios, conhecida por ter um mpato quase nulo no meio ambiente. Em todas as decisões, alguém protagonizava a sétima geração futura e esse indivíduo tinha de falar em nome da sua geração. Isso é muito importante para compreender o impato das medidas. Trazer o voto dos ainda não vivos. E isso é muito difícil».



Felipa Garnel leu esta notícia

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