Anna Gristina parecia uma típica mãe dos subúrbios norte-americanos, mas, após cinco anos de uma longa investigação, as autoridades descobriram o outro lado da sua vida dupla, mantida até agora em segredo devido às boas relações desta com polícias, juízes, políticos e outros homens influentes.
A mulher de 44 anos geria, afinal, um negócio de acompanhantes de luxo a partir de um pequeno apartamento em Upper East Side, Manhattan, onde moram muitos dos mais ricos e poderosos de Nova Iorque. Algumas das raparigas seriam mesmo menores de idade.
Foi detida em fevereiro e acusada de promoção de prostituição. Para o banco dos réus também foram Jaynie Baker, a sua amiga que marcava os encontros, duas das acompanhantes de luxo e o homem que lavava o dinheiro do negócio de venda de sexo.
Julgamento de Anna Gristina ameaça os homens mais ricos e poderosos de Nova Iorque. Irá ela divulgar os nomes?
A mulher de origem escocesa passou quatro meses na mesma prisão onde se encontra Renato Seabra, em Rikers Island, porque a fiança estabelecida inicialmente era de dois mil milhões de dólares. No entanto, o tribunal baixou o valor para 100 mil dólares, ela pagou e foi libertada.
A defesa de Anna Gristina pediu ao juiz do tribunal nova-iorquino para dar o caso por terminado, considerando que o Ministério Público não apresentou provas suficientes, mas Juan Merchan não cedeu e anunciou esta quinta-feira que o julgamento avançará ainda este ano.
O magistrado tem um papel delicado em mãos. Há milhares de horas de gravações e escutas feitas pelo Ministério Público que não foram reveladas, mas não se sabe até quando se conseguirão travar as fugas para a imprensa. Toda a gente quer saber quem eram os clientes deste negócio e espera-se que Anna Gristina, que até aqui se recusou a revelar os nomes, fale durante o julgamento. Esta hipótese foi admitida pelo seu advogado de defesa, Norman Pattis, que considerou que a dimensão do caso só está a aumentar porque a América é «louca» e «esquizofrénica» com o sexo.
Esta semana, a suspeita conseguiu, ainda assim, uma vitória: foi acusada apenas de um crime e não pela quantidade enorme de relações que a polícia desconfia que tenha promovido durante 15 anos e das quais terá arrecadado milhões de dólares. O crime de promoção da prostituição do qual está acusada diz respeito ao caso de um polícia infiltrado que lhe pagou para ter relações sexuais com duas mulheres.
Anna Gristina, no entanto, tem outra versão: garante que não tinha nenhum bordel para a elite da sociedade, mas que funcionava apenas como uma espécie de «casamenteira». O agente infiltrado, alega, não teve sexo com as raparigas, apenas as ficou a ver a terem relações uma com a outra.
Também o seu marido, Kelvin Gorr, que tem estado sempre em tribunal, tal como os quatro filhos de ambos, disse à CNN que a esposa apenas «geria um negócio de namoros». «Ela tem amigos muito ricos e poderosos e conhece muitas mulheres bonitas», explicou.
A próxima audiência está marcada para 15 de outubro. Nela poderá falar a amiga Jaynie Baker, que fez um acordo com a acusação e vai testemunhar contra Anna Gristina.
Se for condenada, a sentença da britânica poderá ir até aos quatro anos de prisão e ela poderá mesmo ser deportada.
| Nicolau Breyner leu esta notícia |