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Internacional
2012-06-21 16:36h

Há portugueses nos piquetes e nas minas de carvão das Astúrias

Entre as dezenas de trabalhadores, mineiros reformados e mineiros barricados nas minas de Santa Cruz del Sil, nas Astúrias, em Espanha, há portugueses que lutam e protestam juntamente com os colegas espanhóis.

O fim da exploração das minas de carvão na região das Astúrias pode mesmo significar um regresso a casa para muitos dos trabalhadores portugueses.

Para Carlos Manuel Vassalo, com 38 anos e natural de Vila Flor, em entrevista à Lusa, nesta quinta-feira, não deixa de ser irónico que tenha vindo para as Astúrias porque não arranjava trabalho em Portugal, lamentando agora que não saiba «fazer outra coisa», pelo que o regresso ao país de origem, com a mulher e filhos espanhóis, não seria «o ideal», restando-lhe «lutar até ao fim pelo posto de trabalho, nada mais».

Dispostos a tudo, protestam ao lado dos espanhóis Entre os organizadores dos piquetes de greve, manifestações e barricadas realizadas ao longo das últimas semanas nas estradas asturianas, encontra-se Augusto Pires, responsável pelo setor mineiro da Confederación Sindical de Comisiones Obreras (CCOO), que afirmou estar «disposto a tudo» para que os «companheiros da mina sintam todo o apoio por parte dos colegas e famílias que têm cá fora».

Entre os sete mineiros barricados há 32 dias nas minas de Santa Cruz del Sil, encontra-se também Victor Manuel Almeida, a que chamam «El Portugués», porque os pais emigraram de Chaves, e que à imprensa local já disse que «o pior de tudo« é mesmo não poder ver a filha de 21 anos, que para si «será sempre uma criança».

Desde o final de maio que milhares de mineiros, e particularmente as mulheres dos mineiros, têm vindo a manifestar-se em Madrid face aos cortes que, segundo a UGT, ameaçam cerca de 30 mil empregos indiretos, além dos oito mil mineiros de carvão que se estima trabalharem em Espanha.

Na sexta-feira, cerca de 180 mineiros deverão partir, a pé e de diversas localidades dos arredores de Léon, para se reunirem com mineiros de Andorra e encetarem um percurso de 19 dias até Madrid, que culminará num protesto contra as medidas de austeridade do Governo espanhol.



Paulo Almoster leu esta notícia

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