A mulher do líder político chinês caído em desgraça Bo Xilai foi condenada, esta segunda-feira, por um tribunal da cidade chinesa de Hefei a pena de morte suspensa por dois anos pelo homicídio do empresário britânico Neil Heywood.
A condenação à pena de morte suspensa na China permite comutar a pena máxima por prisão perpétua se for revelado bom comportamento durante um período determinado.
Gu Kailai, de 53 anos, conhecida advogada, membro da aristocracia comunista chinesa e filha de um dos fundadores da China comunista, enfrentou no dia 9 um julgamento de apenas um dia, a par do seu assistente Zhang Xiaojun, hoje condenado a nove anos de prisão.
Gu Kailai admitiu ter envenenado um empresário britânico, que terá ameaçado o seu filho, por causa de negócios
A embaixada da Grã-Bretanha em Pequim já reagiu à sentença, felicitando a investigação à morte do empresário britânico Neil Heywood, que resultou na condenação da mulher do líder político chinês.
«Felicitamos o facto de as autoridades chinesas terem investigado a morte de Neil Heywood e de terem julgado os que foram identificados como responsáveis», aponta a embaixada em comunicado.
A mesma nota salienta que a representação diplomática britânica em Pequim «manifestou constantemente às autoridades chinesas o desejo de ver aplicadas as normas internacionais dos direitos humanos neste caso, bem como o desejo de que a pena de morte não fosse aplicada».
Além de Gu Kailai e do seu assistente, quatro agentes da polícia chinesa foram condenados a penas entre cinco e 11 anos de prisão por terem encoberto a morte do empresário britânico, em novembro, para proteger a mulher de Bo Xilai.
Os quatro exerciam funções em Chongqing, onde ocorreu o homicídio, e foram condenados por terem tentado fazer valer a tese de morte acidental, informou um porta-voz do tribunal de Hefei, Tang Yigan, aos jornalistas.
Atenuantes
A decisão da condenação à pena capital ter ficado suspensa por dois anos deve-se ao facto do tribunal ter considerado que o empresário britânico havia ameaçado verbalmente o filho de Kailai.
O tribunal considerou também como atenuante os distúrbios psiquiátricos de que sofre a mulher, que lhe retirariam auto-controlo, apesar de não a privarem de perceber as consequências dos seus atos.
Este caso tornou-se o maior escândalo na China das últimas décadas, por envolver a esposa de um dos políticos mais proeminentes do país e apontado como possível futuro líder da China, também ele caído agora desgraça, devido a acusações de corrupção.
O homicídio
Quando o corpo de Neil Heywood foi descoberto sem vida no dia 15 de novembro de 2011, num hotel da cidade de Chongqing, tudo parecia apontar para um caso de intoxicação por efeito do álcool no dia anterior. Não foi sequer realizada autópsia e o empresário foi cremado dias depois.
Mas já este ano, no mês de fevereiro, o chefe da polícia de Chongqing - dirigida então por Bo Xilai - quebrou o silêncio, depois de procurar refúgio no consulado dos EUA, em Chengdu.
Wang Lijun disse ter provas do envolvimento de Kailai no homicídio de Heywood e que sentiu que a sua vida estava em perigo depois de comunicar este dado a Bo Xilai. Seguiu-se então uma investigação, que culminou com a detenção da esposa do homem mais poderoso de Chongqing.
Na origem do assassinato terão estado desentendimentos sobre negócios entre o empresário, Gu e o seu filho Bo Guagua sobre uma propriedade.
Ela admitiu ter envenenado o britânico, depois de este ter supostamente ameaçado o filho ¿ sobre quem não se provou qualquer envolvimento no crime.
| Nicolau Breyner leu esta notícia |