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Internacional
2012-06-29 18:30h

Islândia entre a jovem mãe e o veterano depois das panelas

A Islândia escolhe neste sábado o seu presidente e as eleições decidem-se entre uma mulher de 37 anos sem experiência ou filiação política e um veterano de 69 anos em busca do quinto mandato seguido, que sobreviveu à queda do primeiro país a entrar em falência no início da crise financeira mundial.

De um lado está Olafur Grimsson, o atual presidente, a quem a última sondagem da Gallup dá 44.8 das intenções de voto. Do outro, com 37 por cento nessa sondagem, está Thora Arnorsdottir, jornalista de televisão e mãe de três filhos, o mais novo dos quais nasceu já durante a campanha para as eleições presidenciais. Há mais três candidatos, mas aparecem muito longe na corrida a um cargo que não tem poder executivo.

Thora candidatou-se em Março, quando estava grávida de sete meses, e suspendeu a campanha durante umas semanas quando deu à luz. Casada com outro rosto da televisão, Svavar Halldórson, faz questão de se apresentar como uma cidadã normal. «O nosso tendão de Aquiles é que ela não é dura. Decidiu que só se candidataria numa corrida limpa. Ela é nova e loira, por isso sabíamos que ia chamar a atenção, mas isto é a Islândia: as nossas vidas não vão virar-se do avesso. Os filhos vão ficar na mesma escola, o carro que está lá fora vai continuar a ser o carro da família», diz o marido ao «Guardian».

Eleições presidenciais no primeiro país a entrar em colapso na crise financeira mundial. Como vão eles? Nos seus discursos, ela apela à mudança e ao seu estatuto apartidário: «A minha experiência pessoal nos bastidores da política quando trabalhava nos media deixou-me absolutamente sem interesse de participar na política partidária.»

Também diz que a crise económica do país ainda não está ultrapassada. «Tem sido duro e ainda é. Os efeitos ainda se sentem, tivemos cortes e ainda há pessoas a perder casas, temos desemprego, que é um fenómeno novo na Islândia. Mas acho que estamos de novo no bom caminho. O crash foi uma oportunidade para começar de novo», defende.

Quanto a Grimsson, é o rosto que os islandeses conhecem no cargo há 16 anos. Embora esteja associado aos tempos negros da crise financeira, também foi ele quem vetou por duas vezes, abrindo caminho a dois referendos, a intenção de forçar os contribuintes islandeses a pagar as dívidas deixadas pelo colapso do banco Icesave, reclamadas pelo Reino Unido e pela Holanda.

A Islândia foi processada pela Associação Europeia de Comércio Livre por não pagar essas verbas, mas os islandeses continuam a defender a decisão e não esquecem o papel de Grimsson. «Há muitas pessoas que nunca teriam votado nele, mas agora dizem que ele defendeu a Islânida no caso Icesava e vão escolhê-lo», nota à Reuters Bryndis Hlodversdottir, professor universitário.

Enquanto isso, a Islândia tenta recuperar do crash de 2008, quando os três maiores bancos do país entraram em colapso no espaço de uma semana, apanhados na espiral de especulação que redundou na atual crise. Os islandeses saíram à rua para se manifestar contra o Governo da altura, liderado por Geir Haarde, usando como «armas» panelas e frigideiras. Chegaram a estar perto de 10 mil pessoas na rua, num país de 320 mil habitantes.

O Governo caiu e os islandeses elegeram para o cargo de primeiro-ministro a social-democrata Jóhanna Sigurdardóttir, a primeira líder mundial assumidamente lésbica. Também levaram Geir Haarde a tribunal por não ter feito nada para impedir o colapso, mas acabaram por não o condenar a qualquer pena.

E a Islândia foi recuperando. Pediu dinheiro ao FMI, que já pagou na íntegra, e antes do prazo, e volta a apresentar níveis notáveis de crescimento, na ordem dos 4,5 por cento.

Pelo meio pediu a adesão à União Europeia, encontrando-se agora em processo de negociações. Essa adesão não é pacífica e Grimsson, o atual presidente e principal candidato, é um dos opositores da ideia, o que também poderá valer-lhe pontos na corrida eleitoral deste sábado.



José Alberto Carvalho leu esta notícia

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