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Internacional
2012-07-10 12:57h

Exército deixa favelas do Rio, agora é com a polícia

tvi24, BR

O exército deixou as favelas do Alemão e da Penha, 20 meses depois de ter chegado com enorme aparato militar para tentar controlar uma onda de violência que redundou em 37 mortes. A «entrega» das favelas à polícia teve direito a cerimónia, nesta segunda-feira.

Foi em Novembro de 2010 que 2.600 militares, apoiados por blindados e helicópteros, invadiram o complexo do Alemão, nessa altura no auge de um crescendo de violência associado ao tráfico de droga.

Ficaram lá até agora, numa operação que envolveu 8700 militares. Ao longo destes 20 meses foram detidos 733 suspeitos, apreendido 215 quilos de droga, 302 automóveis, 197 motas, 42 armas diversas, 2.015 munições, 79 carregadores, 13 granadas e 170 mil reais em dinheiro, revelaram as autoridades.

Vinte meses depois de uma operação militar com enorme aparato, cerimónia marca passagem de testemunho Agora, a segurança daquelas zonas fica sob alçada da Polícia Militar e distribuída por várias Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), que têm vindo a ser instaladas em vários locais estratégicos ao longo das favelas do Rio.

A atuação do exército é vista como globalmente positiva, embora a luta pela segurança nas favelas esteja muito longe do fim e as autoridades brasileiras continuem a ter a pressão de ter a situação estabilizada a tempo dos Jogos Olímpicos de 2016, que vão ter o Rio de Janeiro como sede.

A ocupação militar foi nomeadamente muito menos vulnerável à corrupção que estava tradicionalmente associada à ocupação da polícia nas favelas. O general Adriano Pereira Júnior, responsável pela operação militar nas favelas, destaca precisamente o número reduzido de militares envolvidos em «desvios». «Se nós considerarmos o todo que nós vivemos aqui e o todo do Rio, e compararmos com outras áreas, veremos que os casos foram bastante reduzidos. O nosso Exército, assim como a Polícia Militar, são compostos por pessoas que vêm da sociedade. Se a sociedade não é perfeita, algumas imperfeições também vêm para essas instituições. Mas o importante é que as instituições, logo que cortam esses elementos que não têm a conduta adequada, actuem para afastá-los e puni-los», diz, citado pela «Veja».

Há poucos meses foi desmontado um esquema de corrupção em UPPs já em funcionamento, que levou ao afastamento dos responsáveis da unidade em causa e à acusação de várias dezenas de elementos da Polícia Militar. O secretário de segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, defende que essa é a prova de que a luta contra a corrupção na polícia está a funcionar, mas as dúvidas reacendem-se agora com o regresso do controlo das favelas à alçada da polícia.



Carla Moita leu esta notícia

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