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Internacional
2012-06-21 22:00h

Último condenado à morte no Reino Unido absolvido 40 anos depois

tvi24, BR

O Tribunal de Apelo de Belfast anulou nesta quinta-feira a acusação de homicídio que perseguia Liam Holden há quase 40 anos. Ele foi a última pessoa condenada à morte no Reino Unido e essa sentença já tinha sido convertida em prisão perpétua, mas agora vê-se definitivamente ilibado, depois de o tribunal dar como provado que confessou sob tortura.

Holden foi acusado em Setembro de 1972 pela morte do soldado Frank Bell, de 18 anos, que foi atingido a tiro em Belfast por um sniper do IRA, o Exército Republicano Irlandês, e morreu três dias mais tarde.

Holden, que tinha 19 anos na altura, conta que os militares britânicos o foram buscar a casa e o levaram para uma base militar, onde o detiveram durante cinco horas. «Agrediram-me e disseram-me para admitir que tinha morto o soldado. Eu disse que não era verdade», relata, contando depois como foi torturado com água, um método semelhante ao que terá sido usado recentemente pela CIA.

Liam Holden diz que foi torturado: «Até admitia que matei o Kennedy.» «Seis soldados vieram ao cubículo onde eu estava, deitaram-me no chão e um deles colocou uma toalha na minha cara, onde iam deitando água. Se tentava respirar pela boca engolia água, se tentava respirar pelo nariz inspirava água», descreve, citado pela BBC: «Depois daquilo até admitia que matei o Kennedy.»

Na altura foi condenado com base nessa confissão, apesar de até ter um álibi para a hora do crime. Foi inicialmente sentenciado a pena de morte por enforcamento, mas quando a pena capital foi abolida na Irlanda do Norte, em 1973, a sentença foi comutada. Passou 17 anos na prisão, até sair em liberdade condicional em 1989.

Desde então lutou para limpar o seu nome e recentemente a Comissão de Revisão de Casos Criminais, criada para investigar eventuais erros judiciais, considerou que o caso tinha agora bases para ser levado ao Tribunal de Apelo.

O caso de Holden foi reforçado desta vez pela investigação de um jornalista do «Guardian», Ian Cobain, precisamente sobre o uso de tortura com relação a água pelo exército militar na altura.

Agora, Holden espera que o seu caso possa servir de exemplo a outras pessoas que tenham passado por experiências parecidas às mãos do exército britânico.



Paulo Almoster leu esta notícia

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