As três jovens russas que pertencem à banda punk Pussy Riot e que são acusadas de hooliganismo, por terem cantado uma música anti-Vladimir Putin numa igreja ortodoxa, entraram esta quarta-feira em greve de fome.
O tribunal de Moscovo deu apenas cinco dias a Nadezhda Tolokonnikova, Yekaterina Samutsevich e Maria Alekhina e aos seus advogados para analisarem o caso.
«Anuncio uma greve de fome, porque isto é ilegal. Até ao dia 9 de julho não é tempo suficiente para mim», afirmou Nadezhda Tolokonnikova. «Estou categoricamente contra e anuncio uma greve de fome», completou Maria Alekhina.
Advogados de defesa acreditam tratar-se de um julgamento político e até recordam os tempos de Estaline
A defesa desejava ter um prazo mais alargado, pelo menos até 1 de setembro, para ler as cerca de 2800 páginas do processo e ainda outras provas eletrónicas. «Dará tempo suficiente para lerem tudo», garantiu o juiz. O advogado Nikolai Polozov acusou o magistrado de tomar uma decisão política. «Isto é um regresso aos julgamentos de Estaline», acusou.
A decisão do tribunal respondeu a um apelo dos investigadores a um julgamento rápido, alegando que os advogados estão a arrastar o caso. Já a defesa contra-argumenta que está a sofrer pressões da investigação.
«É cada vez mais difícil aos investigadores responderem por que razão estão elas presas. Basicamente, a sua tarefa agora é realizar o julgamento o mais rapidamente possível, chegar a uma sentença e mandá-las para uma prisão», afirmou à AFP Nikolai Polozov.
Esta quarta-feira, foram detidos, à porta do tribunal, mais de 10 apoiantes da banda punk constituída apenas por mulheres.
As três jovens da Pussy Riot estão detidas desde março, após terem cantado «Virgem Maria, manda o Putin embora» na principal igreja ortodoxa de Moscovo.
Caso sejam condenadas, a pena de prisão poderá ir até aos sete anos. A audiência preliminar do julgamento será entre os dias 19 e 24 de julho.
| Paulo Magalhães leu esta notícia |