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Política
2012-07-29 11:49h

António Costa fala sobre possível liderança do PS

António Costa admite que houve alturas em que quis ser secretário-geral do PS e que tem mesmo «algumas qualidades» úteis para a função, mas lembra que este não é o momento para colocar a questão.

Sobre a possibilidade de ser secretário-geral socialista, como defenderam já várias figuras do partido, António Costa considera que «nunca se verificaram as circunstâncias» para assumir o cargo.

«Houve alturas em que eu queria e não podia ser, houve alturas em que eu queria e havia pessoas mais bem colocadas, houve alturas em que não queria. Essas perguntas não se fazem em abstrato, fazem-se no momento certo, quando as oportunidades existem. Neste momento é um problema que não se coloca, o PS tem um líder. Se um dia estiver em discussão, poder-me-á fazer a pergunta e logo verei que resposta estarei em condições de dar», afirma.

«Governo está concentrado no aumento dos impostos e nos cortes cegos» Por isso, e apesar de assumir que poderá voltar a candidatar-se nas autárquicas de 2013, a hipótese não está excluída.

«Se me perguntar se eu posso ser guarda-redes do Benfica, digo-lhe claramente não posso ser guarda-redes. Ser secretário-geral do PS é diferente. Acho que tenho algumas qualidades que poderia mobilizar a favor dessa função. É uma pergunta que se pode fazer em abstrato, não se pode é responder em abstrato», sustenta.

O presidente da Câmara de Lisboa critica o Governo por alguns «cortes cegos» e por não aproveitar todas as oportunidades para relançar a economia.

Em entrevista à agência Lusa, António Costa lamentou que ainda «não se saiba nada sobre o que é que o Governo anda a fazer ou se anda a fazer alguma coisa» quanto ao quadro comunitário de 2014-2020, que envolve uma «atenção nova para as cidades» na área da reabilitação urbana.

No seu entender, um dos erros deste executivo foi não ter criado, no âmbito da reprogramação do Quadro de Referência Estratégico Nacional, uma «linha fortíssima» a este nível.

«A reabilitação urbana tem não só essa função de criar emprego, de mobilizar materiais de produção nacional, como constitui uma mais-valia para o turismo, para a qualidade de vida das cidades e, portanto, tem impacto económico muitíssimo importante», defendeu.

Para o presidente da câmara da capital, onde se estima que sejam necessários cerca de oito mil milhões de euros para reabilitação urbana, é nesta área que «o Governo deveria estar a trabalhar, de modo a preparar um grande programa» que beneficiasse de fundos comunitários.

António Costa estranha que nesta altura a câmara não tenha sido ainda contactada pelo Governo para ser montada «uma grande operação de reabilitação urbana, quer na reprogramação do QREN, quer na preparação do quadro de 2014-2020». «Estamos a ficar atrasados e a arriscar não utilizarmos todo o potencial», criticou.

Para o socialista, este atraso é difícil de compreender: «Todos percebemos que é necessário consolidar as finanças públicas, mas é incompreensível que se não aproveite as oportunidades que temos para relançar a economia».

António Costa criticou o Governo por estar «concentrado sobretudo no aumento dos impostos e no corte cego de algumas despesas, daí não ter resultado nenhuma consolidação das finanças públicas, como se vê pelos números de execução orçamental».

António Costa mostrou-se «preocupadíssimo» com o impacto do aumento do IVA na restauração e no turismo, até porque Lisboa tem cada vez mais vindo a ser referenciada em guias pela oferta gastronómica. «O Governo tem de ter cuidado, tem que refletir. Algumas medidas manifestamente não estão a dar o resultado que era desejável e aí as pessoas têm de ter humildade para corrigir o que é necessário corrigir», defendeu.



Fátima Lopes leu esta notícia
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