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Sociedade
2012-06-29 20:12h

Alunos vão saber empregabilidade quando escolhem curso

Os estudantes vão passar a ter os dados da empregabilidade de cada curso, na altura de fazerem as escolhas para o ingresso na Universidade, revelou hoje o secretário de Estado do Ensino Superior, João Queiró.

Aquele membro do Governo falava numa conferência sobre «programas partilhados com empresas como caminho para o Ensino Superior», que marcou a assinatura de um protocolo entre a Universidade de Aveiro e o Grupo Jerónimo Martins, para a criação da licenciatura em gestão comercial.

O curso, até agora designado de licenciatura em comércio e ministrado na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda, vai ser convertido em licenciatura em gestão comercial, com o apoio e financiamento do Grupo Jerónimo Martins, envolvendo um programa de tutorias, com 90 estágios e uma cátedra internacional.

Revelou o secretário de Estado do Ensino Superior, João Queiró Abordando o tema da relação entre a formação superior e a inserção na vida ativa, João Queiró destacou que, «pela primeira vez, foi introduzida a questão da empregabilidade nas orientações gerais para a fixação do número de vagas por curso», e considerou ser necessário fazer a ponderação entre as saídas profissionais e a vocação e liberdade de escolha dos estudantes.

«Outro ponto em que vamos introduzir é no acesso ao Ensino Superior: os estudantes vão ter acesso aos dados sobre a empregabilidade dos cursos que estão a pensar escolher», anunciou.

O secretário de Estado disse não haver razões para o Estado criar dificuldades a protocolos entre universidades e empresas como o que hoje foi assinado, considerando que o modelo, em que os privados são convidados a participar no desenho curricular pode ser replicado, ainda que não em todos os cursos e instituições.

«São iniciativas de facilitação da entrada de diplomados na vida ativa, que se inscrevem tipicamente na autonomia (das universidades), que têm benefícios mútuos. As empresas, sobretudo as grandes, têm programas internos de formação e como os orçamentos não são infinitos, têm interesse em intervir mais cedo, logo enquanto os jovens tiram o curso. A Universidade de Aveiro, por seu lado, também está interessada, porque aumenta a empregabilidade dos seus diplomados. Há ganhos mútuos e não vejo razões para o Governo o dificultar», disse.

Para João Queiró, «andam mal as universidades que não se preocupem com o que os seus diplomados vão fazer, porque já não há nenhum tipo de curso com emprego garantido».

Alexandre Soares dos Santos, do Grupo Jerónimo Martins, lamentou as críticas feitas ao protocolo pelo Bloco de Esquerda (BE) e salientou que, perante a situação «desastrada em que o Estado se encontra», se todos procurarem ser mais eficientes, nomeadamente os privados, o País fica a ganhar.

«Prefiro ter analfabetos a desaparecer, do que licenciados no desemprego. É esse o desafio â sociedade portuguesa e eles [BE] não sabem onde estão. Neste País, apresenta-se uma realização e a primeira coisa é destruir», comentou.

O BE, num comunicado divulgado na quinta-feira, levantou dúvidas sobre uma eventual «intervenção direta do grupo Jerónimo Martins nos conteúdos da licenciatura em Comércio», e considerou ser necessário conhecer o protocolo «de forma detalhada», em particular «as obrigações a que fica sujeita a Universidade de Aveiro, assim como o número de estudantes abrangidos por cada protocolo e o conjunto das contrapartidas acordadas».



Pedro Lima leu esta notícia

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