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Tecnologia
2012-07-10 12:26h

Drone português quer entrar na «luta» com gigantes

O primeiro avião português não tripulado e totalmente autónomo foi lançado na segunda-feira na maior feira de aviação europeia, no Reino Unido, e o fabricante assume querer «competir com gigantes» como os Estados Unidos ou Israel.

«Não há ninguém a controlar o avião, é tudo programado previamente na estação de solo e totalmente automático desde que o avião descola até aterrar», explicou à Lusa, nesta terça-feira, Ricardo Mendes, um dos responsáveis pela construção do AR4 Light Ray, um drone fabricado pela empresa portuguesa Tekever.

As missões de vigilância e a recolha de informação nas áreas de segurança e defesa são as principais funções deste aparelho de apenas dois metros de comprimento e desmontável, que fez «o primeiro voo autónomo» de sempre da feira de Farnborough e foi desenvolvido ao longo dos últimos dois anos, em colaboração com o Exército Português.

Primeiro avião não tripulado e totalmente autónomo, de fabrico nacional, quer ser um dos melhores do mundo Para Ricardo Mendes, presidente da Tekever, as principais apostas para «ganhar competitividade» num mercado «muito agressivo», e principalmente dominado pelos Estados Unidos da América e Israel, assentam na «inteligência do sistema», na «capacidade de adaptação do aparelho a diferentes tipos de missões» e no «custo final» ao longo do período de vida do aparelho.

«Quisemos tentar fazer à semelhança da Apple (...). A estratégia que temos para esta área é de domínio total da tecnologia, ou seja, toda a aeronave, incluindo o hardware e software dos sistemas, todas as aplicações a bordo e a estação de solo que controla o avião, é feito de raiz por nós», salientou.

O presidente da Tekevere adiantou que um sistema deste tipo - com duas a três aeronaves, uma estação de solo e algumas ferramentas auxiliares - custa «normalmente à volta de 500 mil euros», dependendo do suporte de comunicação (radar, câmara de infravermelhos ou câmara ótica) que utilizar.

Sobre potenciais clientes, Ricardo Mendes não pode «adiantar muito», porque este é um mercado que «exige muito sigilo», mas que já há contactos com várias forças armadas e de segurança internacionais e que o objetivo é competir com os maiores fabricantes mundiais.

«Quando olhámos para este mercado decidimos apostar em áreas em que achámos que podíamos ser muito bons, ao nível do melhor do mundo (...) Estamos a ter as primeiras reações e vemos que estávamos certos, ou seja, estas são as dores dos clientes atuais, de quem já opera este tipo de sistemas e precisa de algo melhor, sinto que conseguimos competir com os gigantes», afirmou.

Ricardo Mendes, que revelou ter outros modelos de drones em construção, disse que o mercado principal da Tekever «é o mercado externo», mas que «Portugal, dada a sua posição geográfica e as responsabilidades a nível internacional, tem necessidades deste tipo de equipamento».

«Queremos também que em Portugal se utilize tecnologia portuguesa, que as nossas forças armadas usem produtos que foram desenvolvidos em Portugal, temos uma parceria forte com o Exército, mas quando as forças armadas avançarem para processos de aquisição queremos estar na linha da frente», frisou.



Nuno Madureira leu esta notícia

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