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2012-09-17 18:43h

Portas, cinquentão rebelde: da vichyssoise ao bloqueio da TSU

Paulo Portas nem teve tempo para festejar uma data tão importante. O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros faz parte, desde a última quarta-feira, do grupo dos cinquentões. Mas o espírito irreverente mantém-se. Assim como os seus inimigos.

Santana Lopes, que com ele partilhou uma coligação de Governo em 2004 e 2005, já tinha avisado há uns meses: «Estes dias não vão ser nada fáceis para Pedro Passos Coelho. Paulo Portas é um negociador muito muito muito duro, isso posso testemunhá-lo. Depende do seu interlocutor, mas ele assume a postura de negociador até ao limite, tenta sempre mais do que aquilo a que tem direito».

Portas não concorda com a proposta do Governo em aumentar a Taxa Social Única (TSU) e disse-o de forma bem clara no último domingo: «Claro que soube da medida, tive uma opinião diferente, alertei e defendi que havia outros caminhos. Mas não a bloqueei, porque fiquei inteiramente convencido que isso conduziria a uma crise nas negociações com a missão externa, à qual se seguiria uma crise no Governo, à qual se seguiria um caos, que levaria a desperdiçar todo o esforço já feito pelos portugueses».

Ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do CDS-PP tem uma longa história de polémicas com o PSD Para Marcelo Rebelo de Sousa esta é uma posição que só serve para atrapalhar a atual coligação de Governo. «Se o primeiro-ministro pensava que ia entalar Portas saiu entalado. Passos e Portas têm de olhar para o interesse do País, pelo menos até ao Verão de 2014. Mas Passos Coelho não pense que consegue entalar Portas. Estão obrigados a estar amarrados um ao outro». Diz que o «PSD tem que ter juízo agora», pois «não vai fazer a mesma coisa que fez Portas. Espero que o PSD tenha categoria para dizer que não responde a Portas».

Divergências antigas

Esta é a segunda vez que Paulo Portas forma Governo com o PSD, mas já são quase incontáveis as ocasiões em que o líder do CDS-PP entra em rota de colisão com os sociais-democratas. E Marcelo é dos primeiros a ter razões de queixa.

Em 1993, quanto Portas ainda era diretor do jornal «Independente», divulgou uma história de traição por parte de Marcelo. Ficou conhecida como o caso da vichyssiose, pois essa teria sido a sopa servida numa reunião inventada pelo agora comentador da TVI. Numa presença no programa «Parabéns», de Herman José, Portas deixou uma frase lapidar: «Marcelo é filho de deus e do diabo. Deus deu-lhe a inteligência e o Diabo deu-lhe a maldade».



Mais tarde, em 1999, quando ambos eram líderes dos seus partidos, não conseguiram resolver querelas antigas e não conseguiram reeditar a AD para se candidatarem juntos às Legislativas. Marcelo sai do PSD e abre portas a Durão Barroso, que perde para António Guterres.

As feridas continuam abertas, não só por esse caso com Marcelo Rebelo de Sousa, mas também pelos problemas surgidos durante os governos de coligação no tempo de Durão e Santana Lopes. Isso mesmo foi recordado por Luís Filipe Menezes, que, na Antena 1, terá desferido o ataque mais duro a Portas.

«É uma pessoa estimável, mas no Governo de Durão Barroso esteve envolvido em situações que causaram problemas à coligação. Com Santana Lopes esteve envolvido em querelas que criaram problemas graves à coligação. E na altura de Marcelo nem sequer conseguiu criar a coligação. Tem, infelizmente, uma história longa de querelas quando se trata de acordos políticos alargados», frisou o presidente da câmara de Gaia, conselheiro de Estado e pessoa muito próxima de Passos Coelho, acentuando aquela que será apenas mais uma divisão entre Portas e o PSD, muito possivelmente com mais uma aproximação à vista.



Fátima Lopes leu esta notícia

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