Num mundo em que o casamento continua a ser visto como o ponto alto de uma relação, há especialistas que defendem exatamente o contrário. A psicóloga argentina Nilda Chiaraviglio, terapeuta familiar, trouxe uma perspetiva que desafia os modelos tradicionais de amor.
De acordo com a especialista, as relações mais sólidas são aquelas em que cada um mantém a sua independência: não se casam, cada um mantém a sua própria casa e, mesmo assim, decidem partilhar a vida.
Numa entrevista à Infobae, a terapeuta defendeu que a liberdade e a autonomia são a base de um amor saudável. “Não preciso de ti para absolutamente nada, mas quero-te para tudo o que me faz bem”.
A especialista acredita que muitos problemas nos casais surgem quando o relacionamento entra numa lógica de cobrança e exigência. “Quando a relação passa para o ‘tu tens de mudar, tu estás mal, já estou cansado de ti’, tudo se destrói”, afirmou. Amar a partir da pressão e da expectativa, é um caminho que leva inevitavelmente ao fim da relação, já que o outro nunca conseguirá preencher vazios internos.
É por isso que, para a especialista, manter casas separadas ou não casar não significa menos compromisso, mas sim a possibilidade de preservar a individualidade. Essa independência cria um espaço em que o amor se vive como decisão diária e não como prisão.
Para Chiaraviglio, os casais mais felizes são aqueles que compreendem que não precisam de juntar vidas (viver juntos e casar) para provar amor. Amar, neste caso, não é perder-se no outro, mas encontrar-se a si mesmo enquanto se caminha lado a lado: “Apaixonar-se ensina-te o melhor de ti mesmo. Não é o outro que te dá isso, és tu, refletido na experiência do amor”, explicou.
No fundo, a perspetiva de Nilda Chiaraviglio mostra que a felicidade a dois pode existir fora dos moldes tradicionais. Não é preciso casar, juntar casas ou seguir um guião social para validar um relacionamento. Pelo contrário, quando cada um preserva a sua individualidade e escolhe livremente estar com o outro, a relação ganha em leveza, autenticidade e verdade. Afinal, ser feliz a dois pode significar, simplesmente, continuar a ser inteiro sozinho.