A ansiedade está na origem de 72,9% das consultas de saúde mental. Jovens dos 18 aos 24 anos (88,9%) e mulheres registam valores mais elevados (86,8%), face aos homens (58.3%).
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A poucos dias do Dia Mundial da Saúde Mental, que se assinala a 10 de outubro, constata-se que cerca de 54% dos portugueses regista níveis elevados de sofrimento psicológico, contra 63% que considera que o seu estado de saúde mental é bom ou muito bom. Quem o diz são os participantes no novo estudo sobre saúde mental em Portugal feito pela ConsumerChoice, com base na Kessler Psychological Distress Scale (K10) – uma escala de 10 perguntas utilizada para avaliar o nível de sofrimento psicológico das pessoas.
Esta análise – que também procurou compreender a perceção dos inquiridos quanto ao recurso a acompanhamento especializado, quanto aos fatores que influenciam o bem-estar psicológico e a perceção de estigma associada à saúde mental – verificou que apesar, dos níveis de sofrimento psicológico identificados, a maioria dos entrevistados (72,1%) considera que a sua saúde mental está melhor ou igual à do período homólogo. Entre os fatores associados a uma perceção de melhoria estão as melhores condições de trabalho (22,2%) e uma melhor condição financeira (23,3%).
Contudo, a vertente económica surge também como uma das principais fontes de pressão, já que a situação financeira e o custo de vida são apontados por 47,5% dos participantes como o motivo que mais negativamente contribui para a sua saúde mental.
O estudo (que se apresenta somente como um indicador do estado psicológico dos inquiridos e não um diagnóstico clínico) indica também que 54,3% nunca recorreu a um profissional na área da saúde mental. Entre os que já procuraram este tipo de acompanhamento, 31% fizeram-no há cerca de um ano e 23% há mais de um ano, o que indicia que o recurso a este tipo de apoio tende a ocorrer com alguma distância temporal.
Quando questionados sobre quais os motivos da última ida ao médico, as consultas de rotina ou de prevenção surgem em primeiro lugar, com 46,6% das respostas. Se incluirmos as consultas para renovação de receitas ou realização de exames, este valor sobe para 67,8%. Por sua vez, as idas ao médico motivadas por doenças/perturbações do foro mental representam 12% das respostas.
Refira-se que a ansiedade surge destacada como o principal motivo para a marcação de consultas relacionadas com a saúde mental (72,9%). Trata-se de uma realidade que assume particular expressão entre os mais jovens, uma vez que 88,9% dos participantes entre os 18 e os 24 anos identificou a ansiedade como motivo para procurar este tipo de acompanhamento. Entre as mulheres, a percentagem chega aos 86,8%, enquanto os homens apresentam valores de ansiedade muito inferiores, na ordem dos 58,3%.
Por último, também se constatou que o recurso a acompanhamento especializado na área da saúde mental continua a depender, sobretudo, da iniciativa dos próprios indivíduos, num contexto em que persistem sinais de estigma associados à procura de apoio psicológico: cerca de 63% refere que ainda há um certo preconceito em receber acompanhamento psicológico.
Este artigo foi escrito no âmbito da colaboração com o Link to Leaders