Usar antitranspirante faz mal à saúde? Desmistificamos o mito
Usar antitranspirante faz mal à saúde? Desmistificamos o mito

Antitranspirantes são mesmo um perigo para a saúde? Especialista esclarece todas as dúvidas

IOL
24 jul., 16:45

5 cuidados a ter com a pele quando for de férias

Produtos para fortalecer e restaurar a barreira da pele

Ioga facial: a maneira natural de desafiar o envelhecimento

Mais 4 sugestões

Conheça o que dizem a ciência, os dermatologistas e as autoridades de saúde sobre um dos maiores mitos da cosmética

Durante anos, pesquisar na internet para encontrar avisos alarmantes sobre os antitranspirantes: "bloqueiam toxinas", aumentam o risco de cancro da mama e, por conterem alumínio, podem ser perigosos para a saúde. A ideia espalhou-se tão depressa que muitas pessoas trocaram os antitranspirantes por desodorizantes "naturais", convencidas de que estavam a fazer uma escolha mais segura.

Mas será que esse receio tem fundamento científico? Recentemente, a farmaceuta e criadora de conteúdos Sara Fernandes abordou o tema nas redes sociais, desmistificando uma das crenças mais persistentes na área da saúde e da cosmética: a de que os antitranspirantes fazem mal ao organismo. E a verdade é que a evidência científica atual está do seu lado.

Apesar de o mito continuar a circular online, as principais entidades de saúde e os estudos disponíveis não encontraram provas de que os antitranspirantes aumentem o risco de cancro da mama, provoquem doença de Alzheimer ou impeçam o organismo de eliminar toxinas.

De onde surgiu este mito?

Grande parte da desconfiança começou há mais de duas décadas, quando surgiram hipóteses de que os sais de alumínio presentes nos antitranspirantes poderiam ser absorvidos pelo organismo e contribuir para o desenvolvimento de doenças, sobretudo do cancro da mama.

A teoria ganhou força porque os antitranspirantes são aplicados perto da mama e porque o alumínio está presente na sua composição. No entanto, uma hipótese não é o mesmo que uma prova. E foi precisamente isso que a investigação científica tentou esclarecer ao longo dos últimos anos.

O que diz a ciência?

A resposta das principais autoridades de saúde é clara. O National Cancer Institute, dos Estados Unidos, afirma que "não existe evidência científica que estabeleça uma ligação entre o uso de antitranspirantes e o risco de cancro da mama".

Na Europa, o Scientific Committee on Consumer Safety (SCCS), organismo que assessora a Comissão Europeia na avaliação da segurança dos ingredientes cosméticos, concluiu igualmente que os compostos de alumínio utilizados nos antitranspirantes são considerados seguros quando usados nas concentrações atualmente autorizadas.

Ou seja, à luz do conhecimento científico atual, não há motivos para considerar que o uso habitual destes produtos represente um risco para a saúde da população.

Mas os antitranspirantes não impedem o corpo de eliminar toxinas?

Esta é outra das ideias mais repetidas, e também uma das mais incorretas. Os antitranspirantes reduzem temporariamente a quantidade de suor libertada pelas glândulas sudoríparas, graças aos sais de alumínio que formam um pequeno tampão temporário nos canais das glândulas. Esse efeito desaparece naturalmente com a renovação da pele e com a lavagem.

E o mais importante de tudo: o suor não é o principal mecanismo de eliminação de toxinas do organismo. Essa função pertence sobretudo ao fígado e aos rins, responsáveis por filtrar e eliminar substâncias potencialmente nocivas. O suor serve essencialmente para regular a temperatura corporal e não para "desintoxicar" o organismo, como tantas vezes se lê nas redes sociais.

Então, os antitranspirantes são totalmente inofensivos?

Como qualquer produto cosmético, os antitranspirantes podem provocar efeitos secundários. Os mais frequentes são irritação da pele, vermelhidão, ardor, principalmente se utilizados após a depilação, ou dermatite de contacto em indivíduos mais sensíveis.

Estes efeitos são locais e não significam que o produto seja prejudicial para a saúde de forma generalizada. Existe apenas uma recomendação de precaução para pessoas com doença renal muito avançada, que devem aconselhar-se com o médico antes de utilizarem regularmente produtos com sais de alumínio, uma vez que a capacidade de eliminar este elemento pode estar comprometida.

Navegue sem anúncios em todos os nossos sites e receba benefícios exclusivos!
TORNE-SE PREMIUM
RELACIONADOS