"Não era ele": amigo do surfista desaparecido em Aljezur revela detalhe arrepiante das últimas imagens
Amigo de Arran Strong reviu as últimas imagens antes do desaparecimento e ficou impressionado com um detalhe que só percebeu depois
Há imagens que ganham outro significado depois de uma tragédia. Para José Maria Pyrrait, as últimas imagens de Arran Strong são precisamente isso: um registo de momentos aparentemente banais que, vistos hoje, lhe provocam uma impressão difícil de explicar.
O surfista britânico, de 27 anos, desapareceu no mar a 27 de julho, durante uma etapa da travessia em stand up paddle pela costa portuguesa. O corpo nunca foi encontrado.
José, que conhecia Arran desde os 10 anos e tinha com ele uma relação muito próxima, recordou no programa Dois às 10 os minutos que antecederam o desaparecimento. E revelou que existe um conjunto de imagens que decidiu não tornar público. "Há umas imagens do Arran que eu não quis expor e só vi depois, que quase parecia que estava a adivinhar", contou.
O que mais o impressionou foi a expressão e a atitude de Arran naquele momento. José estava habituado a vê-lo cheio de energia, mas, nas imagens captadas pouco antes do desaparecimento, reparou posteriormente em algo que lhe pareceu diferente. "Ele estava sempre cheio de atividade, e quando o meu sócio faz as imagens e perguntou se estava pronto, ele foi só: "Ya, claro, tem de ser". Mas não era ele que ali estava. Eu só vi isso depois", recordou.
As imagens foram captadas por volta das 11h10. Apenas oito minutos mais tarde, às 11h18, José já estava a pedir socorro em terra. Durante a travessia, José seguia alguns metros à frente. Quando olhou para trás, deixou de ver Arran. No mar, permanecia apenas a prancha.
"Olhei para trás e não vi o Arran", contou, recordando o desespero daquele momento. Procurou-o de imediato e chegou a mergulhar várias vezes, mas nunca voltou a encontrar o jovem.
As memórias dos últimos minutos de Arran e José Maria
Entre as memórias que ficaram daqueles últimos minutos está também uma das últimas brincadeiras de Arran. "Pyrrait! Orcas, orcas!", terá dito o surfista, numa referência ao desejo que tinha de ver orcas durante a viagem.
Hoje, a frase é recordada por José com uma emoção inevitavelmente diferente. "Sinto um grande privilégio de ter sido a última pessoa a estar com o Arran", afirmou. Apesar da dor, José decidiu continuar a travessia pela costa portuguesa. Percorreu cerca de 900 quilómetros, passando novamente pelo local onde Arran desapareceu.
Mas são aqueles poucos minutos, entre as últimas imagens e o momento em que deixou de o ver, que permanecem mais difíceis de apagar. "Oito minutos. Um último olhar para trás. E uma imagem que José só percebeu verdadeiramente depois", completou.