Para muitas pequenas e médias empresas, a sustentabilidade já chegou às conversas com clientes, bancos e grandes grupos, mas nem sempre chegou à gestão diária. Entre siglas, indicadores e novas exigências, a dificuldade começa muitas vezes numa pergunta básica: por onde começar?
O Sustainability Leaders foi criado para tornar essa resposta mais prática. Promovido pela Associação Empresarial de Braga (AEB) e pela NERLEI, o projeto combina diagnóstico, capacitação e contacto com casos reais, com especial atenção às PME das regiões Norte e Centro orientadas para os mercados externos.
A iniciativa decorre entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2027 e pretende mobilizar mais de 500 PME exportadoras. O impacto já visível está no conjunto de ferramentas e experiências que começaram a ser disponibilizadas às empresas.
“Para muitas PME, o desafio não é reconhecer a importância da sustentabilidade, mas perceber como a podem transformar em decisões concretas de gestão. É precisamente aí que queremos intervir: aproximar as empresas das ferramentas, do conhecimento e dos exemplos que lhes permitem passar da intenção à ação”, explica Daniel Vilaça, Presidente da Associação Empresarial de Braga.
Do diagnóstico ao plano de ação
Um dos eixos do programa é o Barómetro de Sustentabilidade Empresarial, pensado para ajudar cada empresa a perceber o seu ponto de partida. Esta avaliação ganha utilidade quando deixa de produzir apenas uma classificação e serve para identificar prioridades, compromissos e indicadores adequados à dimensão do negócio.
A plataforma ESG Navigator acrescenta ferramentas gratuitas de autodiagnóstico e um roteiro dirigido às PME. A lógica é permitir que uma empresa reconheça os temas mais relevantes para a sua atividade e organize os passos seguintes, em vez de tentar responder ao mesmo tempo a todas as dimensões ambientais, sociais e de governação.
O programa incluiu também um ciclo inicial de workshops. Na sessão de encerramento, em janeiro de 2026, os participantes trabalharam uma abordagem em seis etapas para construir um plano de sustentabilidade, identificar prioridades com base no impacto e analisar casos empresariais.
Formação aplicada à realidade das empresas
Na fase avançada, o Sustainability Leaders aprofundou os três pilares ESG. O programa abordou gestão ambiental e utilização de recursos, inclusão e condições de trabalho, além de transparência, ética e modelos de governação. As sessões combinaram conteúdos técnicos, exercícios práticos e avaliação de competências.
Esta passagem da sensibilização para a aplicação é relevante para o tecido empresarial de Braga. Uma PME pode precisar de medir consumos para reduzir custos, formalizar práticas laborais já existentes ou responder a pedidos de informação de um cliente internacional. São tarefas diferentes, mas todas exigem organização interna e dados que possam ser demonstrados.
O projeto levou ainda empresários e profissionais a visitar três organizações da região - Transportes Urbanos de Braga, Sourcetextile e Grupo Casais - num Safari Empresarial ESG. O contacto direto permitiu observar soluções em áreas como mobilidade sustentável, descarbonização e integração de práticas ESG nos negócios.
“A sustentabilidade não deve ser vista pelas PME como mais uma obrigação administrativa. Pode também representar uma oportunidade para reduzir custos, antecipar exigências dos mercados, melhorar processos e reforçar a competitividade”, acrescenta Daniel Vilaça.
AEB transforma exigências em instrumentos de gestão
O papel da Associação Empresarial de Braga passa por traduzir um tema complexo para a escala das empresas que representa. Em vez de limitar a intervenção a sessões informativas, a AEB articula formação, ferramentas de diagnóstico e partilha entre pares. Essa combinação ajuda as PME a comparar práticas e a decidir onde concentrar recursos.
O Sustainability Leaders dispõe de um custo total de cerca de 348 mil euros e de um apoio financeiro da União Europeia próximo de 228 mil euros, com uma taxa de cofinanciamento de 85%. O investimento só poderá ser avaliado de forma completa no fim do projeto, quando forem conhecidos os níveis de participação e as mudanças implementadas pelas empresas.
Até lá, o efeito mais concreto está na redução da distância entre a linguagem ESG e a operação de uma PME. Para o tecido empresarial de Braga, isso significa ter acesso local a instrumentos que ajudam a responder a clientes, antecipar exigências e tomar decisões com melhor informação, sem tratar a sustentabilidade como um assunto reservado às grandes empresas.