Há roteiros que se consultam num mapa. Este faz-se à mesa. O Verde Cool prepara-se para regressar a Braga, juntando, de 7 de setembro a 4 de outubro, restaurantes, produtores de Vinho Verde e consumidores num percurso pensado para dar a provar a região e, ao mesmo tempo, levar mais movimento aos negócios locais.
Promovida pela Associação Empresarial de Braga (AEB), a iniciativa assenta numa proposta simples: cada estabelecimento aderente cria um petisco e combina-o com um Vinho Verde. A partir daí, a cidade transforma-se num circuito gastronómico, com diferentes espaços para descobrir ao longo de várias semanas.
“O Verde Cool nasceu com um objetivo muito concreto: levar as pessoas a descobrir Braga através da gastronomia e do Vinho Verde, criando simultaneamente movimento e oportunidades para os negócios que fazem parte da cidade. Os resultados da edição anterior mostram que esta ligação entre promoção territorial e atividade económica tem impacto”, explica Rui Marques, Diretor-Geral da Associação Empresarial de Braga.
O lançamento de uma nova edição dá continuidade a um formato que já mostrou capacidade para atrair público e gerar vendas. Em 2025, participaram 44 estabelecimentos de restauração e bebidas, que serviram mais de 85 mil menus entre 8 de setembro e 5 de outubro.
Mais clientes à mesa, mais circulação na cidade
O efeito do Verde Cool não fica limitado ao valor de cada menu. Quem percorre o roteiro desloca-se entre diferentes zonas, entra em espaços que talvez ainda não conhecesse e prolonga a permanência no centro da cidade. Esse movimento beneficia a restauração, mas também pode chegar ao comércio e a outros serviços próximos.
Os resultados da edição de 2025 ajudam a medir essa dimensão. Segundo o balanço da AEB, a iniciativa gerou mais de 425 mil euros em vendas diretas e um impacto económico global superior a um milhão de euros. As vendas médias dos espaços aderentes cresceram cerca de 20% em relação à edição anterior.
Para os empresários, há outro resultado relevante: 95% dos participantes apontaram a atração e a fidelização de novos clientes como a principal mais-valia do roteiro. Ou seja, o evento não serviu apenas para encher mesas durante algumas semanas. Criou oportunidades para os restaurantes apresentarem a sua oferta a novos públicos e tentarem fazê-los regressar.
“Um dos aspetos mais relevantes do Verde Cool é precisamente a capacidade de aproximar os estabelecimentos de novos públicos. Para muitos negócios, esta é uma oportunidade de dar a conhecer a sua oferta a pessoas que podem tornar-se clientes para além do período da iniciativa”, acrescenta Rui Marques.
Um produto local construído em conjunto
O Verde Cool liga atividades que nem sempre são promovidas de forma articulada. De um lado estão os restaurantes e a criatividade das cozinhas. Do outro, os produtores e as diferentes referências de Vinho Verde. No meio, está a identidade gastronómica de Braga, apresentada como uma experiência acessível e distribuída por vários negócios.
Na edição de 2025, o roteiro reuniu 33 marcas de vinho, com 36 referências de seis sub-regiões da Região Demarcada dos Vinhos Verdes. Esta diversidade permitiu mostrar que a ligação entre um petisco e um vinho pode ser também uma forma de conhecer produtores, castas e territórios.
A cooperação reduz ainda a dificuldade que muitos pequenos negócios enfrentam quando tentam chegar a novos clientes de forma isolada. Em vez de cada estabelecimento comunicar sozinho, o roteiro cria uma marca comum e concentra a atenção do público durante um período definido.
A AEB usa a gastronomia como ferramenta económica
Ao organizar o Verde Cool, a Associação Empresarial de Braga dá ao setor uma estrutura comum: mobiliza estabelecimentos e parceiros, coordena a promoção e transforma dezenas de propostas individuais num percurso reconhecível. É um trabalho de bastidores que permite apresentar a restauração local como uma oferta coletiva, sem apagar a identidade de cada casa.
A nova edição volta, assim, a cruzar promoção territorial e apoio direto à atividade empresarial. Para Braga, é uma forma de reforçar a ligação entre gastronomia, vinho e visita à cidade. Para os estabelecimentos, representa mais uma ocasião para testar propostas, conquistar clientes e ganhar visibilidade fora do seu público habitual.
O resultado será medido nas mesas ocupadas, nos menus servidos e no número de pessoas que decidirem entrar pela primeira vez num restaurante do roteiro. É aí que uma iniciativa de animação da cidade se transforma em movimento económico para as empresas que nela participam.