Jovem engenheiro de Évora cria plataforma digital para ajudar crianças com autismo
Jovem engenheiro de Évora cria plataforma digital para ajudar crianças com autismo

Jovem engenheiro de Évora cria plataforma digital para ajudar crianças com autismo

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30 jul., 09:00

A figura central da plataforma é o Caju, um companheiro gamificado que recorre, por exemplo, à comunicação por imagens para expressar necessidades

A nova plataforma é portuguesa, chama-se Caju e foi fundada por um jovem engenheiro de Évora para apoiar as crianças autistas, as famílias e os profissionais que as acompanham.

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A Caju consiste numa ferramenta digital que tem como missão ajudar as crianças com autismo a comunicar, a aprender e a crescer. Destina-se a ser usada por famílias, educadores e profissionais como forma de apoio à vida quotidiana de quem cuida de uma criança com autismo.

A figura central da plataforma é o Caju, um companheiro gamificado que recorre, por exemplo, à comunicação por imagens para expressar necessidades. Mas o que é que esta nova plataforma faz em concreto? Bruno Gomes, criador do projeto, explica que a Caju dá às crianças que comunicam pouco através de palavras um quadro de comunicação por imagens, para pedirem e dizerem o que precisam.

Além disso, ajuda-as a preparar situações novas que costumam gerar ansiedade (como ir ao dentista, ao cabeleireiro ou o primeiro dia de escola), com pequenas histórias ilustradas. Também organiza o dia em passos visuais simples e dá espaço para praticar a escrita.

Aos profissionais, esta nova ferramenta poupa horas de trabalho porque em vez de recortarem e plastificarem materiais à mão, têm bibliotecas prontas que podem personalizar em minutos e partilhar com as famílias.

Este projeto 100% português nasceu da iniciativa do jovem engenheiro de Évora com a missão de ligar as diferentes pessoas que fazem parte da vida de uma criança autista, e para que o trabalho não pare quando a sessão acaba. Em suma, para apoiar não só as crianças, mas também as famílias e os profissionais que as acompanham.

Bruno Gomes (que anteriormente também fundou a SimpleStudy, uma startup irlandesa de edtech), explica que a ideia original para o projeto era mais ampla. Pretendia criar uma ferramenta para vários grupos neurodivergentes, entre os quais autismo, AVC, Alzheimer, demência. Todavia os pitches e as conversas no XBoost, o programa de aceleração do PACT (Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia), onde tudo começou, levaram-no a escolher um só caminho, porque “para fazer bem, tínhamos de escolher um”, explica na plataforma.

O foco acabou por surgir de uma situação pessoal, concretamente do sobrinho que tem autismo nível 1. E foi ao passar tempo com ele que percebeu quanto potencial estava por explorar. “Podia comunicar mais, aprender mais, fazer mais”, refere o criador da plataforma.

Depois de falar com terapeutas, psicólogos, educadores e famílias começou a delinear o projeto. “Criei a Caju por uma ligação pessoal e familiar ao autismo, e porque as ferramentas de apoio de que as famílias e os terapeutas em Portugal precisavam ainda não existiam”.  Por isso, criou a Caju de forma prática, para estar ao lado de quem a usa todos os dias, com a colaboração de um grupo de advisors que trabalham com crianças com autismo e que sabem o que realmente ajuda, explica.

Financiada pelo StartUp Voucher do IAPMEI, a Caju está disponível de forma gratuita até 2027, “precisamente para chegar às famílias e aos profissionais sem lhes pesar no bolso”, sublinha o fundador do projeto.

Este artigo foi escrito no âmbito da colaboração com o Link to Leaders

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