A nova plataforma é portuguesa, chama-se Caju e foi fundada por um jovem engenheiro de Évora para apoiar as crianças autistas, as famílias e os profissionais que as acompanham.
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A Caju consiste numa ferramenta digital que tem como missão ajudar as crianças com autismo a comunicar, a aprender e a crescer. Destina-se a ser usada por famílias, educadores e profissionais como forma de apoio à vida quotidiana de quem cuida de uma criança com autismo.
A figura central da plataforma é o Caju, um companheiro gamificado que recorre, por exemplo, à comunicação por imagens para expressar necessidades. Mas o que é que esta nova plataforma faz em concreto? Bruno Gomes, criador do projeto, explica que a Caju dá às crianças que comunicam pouco através de palavras um quadro de comunicação por imagens, para pedirem e dizerem o que precisam.
Além disso, ajuda-as a preparar situações novas que costumam gerar ansiedade (como ir ao dentista, ao cabeleireiro ou o primeiro dia de escola), com pequenas histórias ilustradas. Também organiza o dia em passos visuais simples e dá espaço para praticar a escrita.
Aos profissionais, esta nova ferramenta poupa horas de trabalho porque em vez de recortarem e plastificarem materiais à mão, têm bibliotecas prontas que podem personalizar em minutos e partilhar com as famílias.
Este projeto 100% português nasceu da iniciativa do jovem engenheiro de Évora com a missão de ligar as diferentes pessoas que fazem parte da vida de uma criança autista, e para que o trabalho não pare quando a sessão acaba. Em suma, para apoiar não só as crianças, mas também as famílias e os profissionais que as acompanham.
Bruno Gomes (que anteriormente também fundou a SimpleStudy, uma startup irlandesa de edtech), explica que a ideia original para o projeto era mais ampla. Pretendia criar uma ferramenta para vários grupos neurodivergentes, entre os quais autismo, AVC, Alzheimer, demência. Todavia os pitches e as conversas no XBoost, o programa de aceleração do PACT (Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia), onde tudo começou, levaram-no a escolher um só caminho, porque “para fazer bem, tínhamos de escolher um”, explica na plataforma.
O foco acabou por surgir de uma situação pessoal, concretamente do sobrinho que tem autismo nível 1. E foi ao passar tempo com ele que percebeu quanto potencial estava por explorar. “Podia comunicar mais, aprender mais, fazer mais”, refere o criador da plataforma.
Depois de falar com terapeutas, psicólogos, educadores e famílias começou a delinear o projeto. “Criei a Caju por uma ligação pessoal e familiar ao autismo, e porque as ferramentas de apoio de que as famílias e os terapeutas em Portugal precisavam ainda não existiam”. Por isso, criou a Caju de forma prática, para estar ao lado de quem a usa todos os dias, com a colaboração de um grupo de advisors que trabalham com crianças com autismo e que sabem o que realmente ajuda, explica.
Financiada pelo StartUp Voucher do IAPMEI, a Caju está disponível de forma gratuita até 2027, “precisamente para chegar às famílias e aos profissionais sem lhes pesar no bolso”, sublinha o fundador do projeto.
Este artigo foi escrito no âmbito da colaboração com o Link to Leaders