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Carlos Secretário sofreu um AVC. O que é um AVC, como pode ser prevenido, o que fazer se tiver um, o que fazer se vir alguém a ter um (há 5 minutos decisivos)

Carlos Secretário, antigo internacional português, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) aos 52 anos. O ex-futebolista está nos cuidados intensivos a lutar pela vida. Em Portugal, o AVC é a principal causa de morte: em 2020 vitimou 11 mil pessoas.

Wilson Ledo
16 ago, 20:47
16 ago, 20:47
Secretário (twitter FC Porto)
Secretário (twitter FC Porto)

O que é?

Um acidente vascular cerebral (AVC) consiste na redução súbita do fluxo sanguíneo para o cérebro. Pode acontecer por dois motivos: pelo bloqueio ou pelo rebentamento de um vaso sanguíneo. Se a primeira situação é a mais comum, podendo ser tratada, por exemplo, com recurso a medicação anticoagulante, a segunda pode exigir uma intervenção cirúrgica urgente.

A que sintomas estar atento?

Os sintomas associados ao AVC são súbitos, desenvolvendo-se em poucos minutos ou horas, consoante cada caso. A lista é extensa mas exige atenção: perder a força ou sentir formigueiro de um lado do corpo, ter um lado do rosto descaído (na boca ou nas pálpebras), sentir dificuldade em articular palavras, alterações do equilíbrio ou tonturas, perder parte da visão ou experienciar dores de cabeça intensas e repentinas.

Se estiver sozinho, como confirmar que é mesmo um AVC? E o que fazer?

“Um AVC tem de ser interpretado como um incêndio. À medida que passa o tempo, ele vai alastrando”, resume Fernando Mota Tavares, médico e membro da Associação Portuguesa do AVC. Cada minuto conta. E há um teste que pode fazer toda a diferença. Se estiver sozinho, use um espelho. Siga esta ordem: rosto, braços, fala.

Em primeiro lugar, sorria, para observar se um lado do rosto descai. Depois, tente levantar os braços, em forma de abraço, para confirmar se algum deles cai de forma involuntária. Por fim, diga em voz alta uma frase simples: algo como “o meu nome é…” ou “hoje está um dia de sol”.

Se não conseguir realizar uma destas tarefas, pegue no telefone e ligue para o 112. “Tem cinco minutos para isso”, explica o médico, concretizando que essa é a janela temporal em que a pessoa, mesmo estando sozinha, conseguirá acionar o alerta. Assim, o apoio médico chegará mais depressa e podem evitar-se consequências mais graves do AVC.

Após o contacto com a linha de emergência, deve abrir a porta de casa, deixando a chave do lado de fora. Deste modo, a equipa do 112 conseguirá entrar em sua casa se, no tempo de espera, acabar por perder os sentidos. É também aconselhado que ligue a um familiar, amigo ou vizinho para o vir ajudar.

Procure deitar-se de seguida, para evitar quedas. Se “tiver forças e discernimento”, diz o especialista, pode reunir os medicamentos que costuma tomar e relatórios médicos que possam ajudar a equipa de socorro a tomar decisões de forma mais rápida. Mas fica o aviso: não beba água nem tome medicamentos. “É proibido”, resume Mota Fernandes.

E se tiver companhia?

O processo é exatamente o mesmo. Se a pessoa não tiver passado num dos três testes, quem a acompanha deve acionar logo o 112. Neste caso, quem estará a sofrer o AVC deve logo ser deitado. Caberá à companhia assegurar as outras etapas, facilitando o acesso dos profissionais de saúde e reunindo toda a informação médica do doente.

Como prevenir?

Para saber como prevenir um AVC, importa saber o que o pode potenciar. A idade é o principal fator de risco – e não pode ser controlada. Mas os outros fatores podem: tensão arterial e colesterol elevados, diabetes, consumo de álcool e tabaco.

Adotar um estilo de vida saudável pode reduzir, e muito, esse risco. “Temos de comer menos, porque a obesidade origina outras doenças que são um fator de risco para o AVC, como a apneia do sono”, aponta Fernando Mota Tavares, médico e membro da Associação Portuguesa do AVC.

A dieta mediterrânica, associada ao exercício físico, faz a sua parte nesta prevenção. Deixar de fumar, ter um consumo moderado de álcool ou dormir as horas de sono recomendas são outras das estratégias. Depois, é preciso estar atento ao próprio historial médico, em especial às doenças cardíacas, que também são um sinal de alerta.

Que danos pode deixar um AVC?

A recuperação depende da gravidade do AVC e da rapidez das respostas. Mas há danos que podem ficar para o resto da vida. “No fundo, é tudo falta de força”, resume Fernando Mota Tavares. A falta de força pode impedir a pessoa de andar, de se vestir ou de comer sozinha. No rosto, um dos episódios mais recorrentes é ficar com um dos lados descaídos.

Em alguns casos, o processo pode ser revertido com fisioterapia ou terapia da fala, com o doente a reaprender a andar, falar ou mesmo a engolir.

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