Bebé ao telemóvel. Foto: Pexels
Bebé ao telemóvel. Foto: Pexels

Ecrãs de dispositivos digitais podem prejudicar o desenvolvimento de crianças menores de 2 anos

Link To Leaders
3 ago., 12:36

Investigadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, alertam para a necessidade de avaliar os riscos que os dispositivos digitais, como tablets ou smartphones, podem ter na saúde dos bebés expostos a estes ecrãs

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O tempo que bebés e crianças até aos dois anos passam em frente a ecrãs de dispositivos digitais pode, a longo prazo, causar problemas na saúde. O alerta vem de um estudo de cientistas britânicos, concretamente da Universidade de Leeds, ao verificarem que a utilização de equipamentos como tablets ou smartphones, por exemplo, tem efeitos negativos nesta faixa etária e pode, inclusivamente, causar vários problemas de desenvolvimento, sobretudo durante os primeiros 1.001 dias, considerado o período mais importante do desenvolvimento humano.

Citado pelo The Guardian, Rafe Clayton, professor daquela universidade e um dos responsáveis pela investigação, constatou que os pais, ao deixaram que os bebés e crianças brinquem e manuseiem este tipo de equipamentos, estão inadvertidamente, a ensiná-los desenvolver hábitos e relações prejudiciais com os dispositivos eletrónicos, uma situação que na sua opinião tem de ser alterada.

Mais: numa altura em que a utilização de ecrãs faz cada vez mais parte integrante da forma de criar e educar os filhos, os investigadores mostram-se preocupados com uma falta de atenção das políticas públicas a este target, contrariamente à atenção que tem sido dada à população adolescente.

Mas afinal que riscos são esses? O estudo refere uma ampla diversidade de danos potenciais associados ao tempo que os bebés interagem com ecrãs, entre os quais a diminuição das oportunidades para criar laços com os pais e cuidadores, menos tempo para brincadeiras físicas com outras crianças, bem como o desenvolvimento limitado da linguagem.

Além disso, de acordo com os dados apurados, a utilização deste tipo de dispositivos digitais em tão tenra idade pode levar a super estimulação, a dificuldade para dormir, a par de problemas visuais e mesmo de obesidade infantil.

Por tudo isto, a equipa de pesquisa da Universidade de Leeds tem vindo a solicitar uma “avaliação de risco do tempo de ecrã para bebés” para ajudar os serviços envolvidos a fornecerem apoio direcionado às famílias onde possam estar a surgir vulnerabilidades de desenvolvimento

Defendem mesmo que o governo britânico deve melhorar o canal de comunicação com as famílias sobre as problemáticas associadas ao uso dos ecrãs, ao mesmo tempo que deve ser sensível ao medo de julgamento que muitos pais enfrentam ao abordar estas questões.

A pesquisa levanta ainda uma outra questão, na medida em que entendem que não devem ser só os pais a ser culpabilizados por um problema que não criaram. Entendem que as empresas de tecnologia também devem fazer a sua parte, porque ao promoverem junto dos pais conteúdos como sendo adequados para bebés (quando as evidências apontam para o contrário), estão a contribuir para este cenário. As recomendações apontam para uma utilização limitada e para o bom senso dos pais.

Este artigo foi escrito no âmbito da colaboração com o Link to Leaders

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