No comentário desta semana, quero falar-vos da Raquel e do Nuno. O que, no início, parecia o típico romance de reality show, daqueles que todas as edições fazem questão de nos oferecer, rapidamente se transformou numa dinâmica desconfortável. Quando uma pessoa diz "não", esse "não" devia bastar. Ponto.
Neste caso, quem acabou por ficar nessa posição foi o Nuno. E aqui surge uma pergunta incómoda: se os papéis estivessem invertidos, estaríamos a falar disto da mesma forma? Tenho muitas dúvidas. Muito provavelmente, as redes sociais já teriam condenado o concorrente, os rótulos de "manipulador", "tóxico" e "controlador" já estariam espalhados por todo o lado, e o julgamento público seria implacável.
Mas também há um outro extremo que me incomoda. Por ser uma mulher a insistir numa relação que já lhe foi recusada, há quem a reduza imediatamente ao rótulo de "louca". Não. Não é esse o ponto, nem deve ser essa a discussão. O problema não é ser homem ou mulher. O problema é não aceitar um "não".
O Nuno já foi claro. Já lhe disse que não quer alimentar qualquer envolvimento para além da amizade. Fê-lo mais do que uma vez. Ainda assim, a insistência continua. A constante procura de validação, a forma como o observa, a necessidade permanente de o trazer para o centro da narrativa... tudo isso acaba por criar um ambiente sufocante.
Depois chegam as VT's: lágrimas, desabafos, uma narrativa de sofrimento que acaba por colocar a Raquel no papel de vítima. E é aqui que, para mim, a história se inverte. Porque, no fim de contas, quem estabeleceu um limite foi o Nuno. E quem continua a não o respeitar não é ele.
E sejamos honestos: num reality show, ninguém desperdiça uma boa narrativa. A Raquel percebeu que esta história lhe dá tempo de antena, destaque nas galas e protagonismo nas conversas cá fora. Enquanto toda a gente discute se ela sofre ou se ele foi frio, ela continua no centro do programa. Coincidência? Cada um tire as suas conclusões.
Confesso que fiquei verdadeiramente surpreendido com o resultado das votações. Nunca esperei ver a Raquel ser a primeira salva da noite. Se tivesse de apostar, teria colocado todas as fichas no Nuno.
Mas, para mim, a primeira salva deveria ter sido outra concorrente: a Sara. Tem sido, de longe, a protagonista mais consistente deste Big Brother Verão. Sem dramas forçados, sem precisar de transformar uma rejeição numa novela e sem viver à sombra da história de outra pessoa.
Porque, no fim do dia, há uma coisa que não devia depender do género: um "não" continua a ser um "não". Dentro e fora da casa.
OPINIÃO | Big Brother Verão: A Raquel é vítima... ou protagonista da sua própria narrativa?
Fábio Belo
20 jul., 14:43