Burla SMS
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A voz do seu filho ou do seu chefe pode ser falsa: a nova burla para enganar ao telefone é assustadora

IOL
31 ago., 09:58
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A chamada parece verdadeira. A voz também. O problema é que pode ser tudo falso e custar-lhe muito dinheiro

A voz do outro lado da chamada pode parecer familiar, profissional e absolutamente convincente. Pode ser a voz de um filho, de um funcionário do banco ou até de um superior no trabalho. O problema é que, com recurso à inteligência artificial (IA), já é possível burlar sem os erros e hesitações que, tradicionalmente, ajudavam a detetar o crime.

É precisamente para este novo cenário que alerta a aplicação Guardião, uma app que bloqueia chamadas e SMS fraudulentos antes de estes chegarem ao telemóvel.

Quando a voz deixa de ser uma pista

Durante muito tempo, uma chamada suspeita podia ser identificada por alguns sinais: uma voz estranha, um discurso pouco natural, erros de português ou uma pessoa que parecia não saber responder às perguntas. A IA está a mudar esse cenário.

Com apenas alguns segundos de áudio, é possível clonar uma voz e utilizá-la numa chamada fraudulenta. O resultado pode ser suficientemente convincente para fazer acreditar que estamos realmente a falar com alguém que conhecemos ou com uma entidade legítima.

Como explica a Guardião, “a voz do outro lado do telefone já não precisa de soar estranha para ser falsa”.

E o perigo não está apenas na voz. Os burlões podem combinar a clonagem de voz com técnicas de engenharia social, informação obtida sobre a vítima e spoofing, uma técnica que permite falsificar o número que aparece no ecrã.

Ou seja: uma chamada pode aparecer no telemóvel com o contacto que já tinha registado como sendo do banco, de um familiar ou de outra entidade conhecida, sem que isso signifique que seja realmente essa pessoa ou organização.

O “guião” de uma burla pode ser muito convincente

Uma das situações mais comuns começa com a criação de um sentimento de urgência. “A sua conta foi comprometida", por exemplo. A partir daqui, o burlão pode afirmar que existem movimentos suspeitos e que é necessário agir imediatamente para proteger o dinheiro.

Depois vem o segundo passo: “Preciso que confirme uns dados.” É nesta fase que podem ser pedidos códigos de acesso, dados do cartão ou até a instalação de uma aplicação no telemóvel. Finalmente, pode surgir a instrução mais perigosa: “Transfira para uma conta segura.”

A vítima é convencida de que deve transferir o dinheiro para uma suposta “conta de segurança”. Essa conta não existe como mecanismo legítimo de proteção bancária. A transferência serve, na realidade, para entregar o dinheiro ao burlão.

Os números mostram a dimensão do problema

Os dados apresentados pela app Guardião ajudam a perceber por que razão este tipo de fraude merece atenção. Mais de 65 milhões de euros em prejuízos foram reportados apenas em 2024, segundo os dados apresentados da PSP.

As queixas relacionadas com spoofing na ANACOM duplicaram num ano e os ataques de phishing em Portugal aumentaram 93% em 2025, segundo os dados apresentados com referência à ANACOM e ao INE.

Os cidadãos com mais de 65 anos são identificados pela Guardião como um dos grupos particularmente vulneráveis.

O que fazer quando alguém liga a pedir dinheiro ou códigos?

Há algumas regras simples que podem impedir que uma chamada aparentemente legítima termine numa perda financeira.

Não existem “contas de segurança”

Se alguém ligar a dizer que a sua conta está comprometida e pedir uma transferência para uma “conta segura”, não faça a transferência. Desligue a chamada e contacte diretamente o banco através dos seus canais oficiais.

Nunca forneça códigos recebidos por SMS

Um código enviado por SMS pode ser utilizado para autorizar uma operação. Não é uma ferramenta para “cancelar” uma operação porque alguém assim o diz durante uma chamada.

Se lhe pedirem esse código por telefone, trate-o como um sinal de alerta.

Não instale aplicações a pedido de quem ligou

Uma pessoa que telefona inesperadamente e pede para instalar uma aplicação no telemóvel pode estar a tentar obter acesso ao dispositivo ou às suas informações.

Não instale aplicações, não partilhe códigos pessoais e não permita acessos remotos por instrução de um desconhecido.

Na dúvida, desligue

Esta é talvez a regra mais simples e importante. Desligue a chamada e ligue para o banco, familiar ou entidade em questão através do número oficial.

Não volte a ligar para o número que acabou de telefonar, sobretudo quando existe a possibilidade de este ter sido falsificado.

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