O que está realmente a beber quando pede um café descafeinado?
Descubra como é feito o café descafeinado e saiba se é ou não seguro bebê-lo
Pede um descafeinado para evitar a cafeína. Mas o processo de retirar a cafeína dos grãos pode envolver diferentes métodos, e que um deles continua a gerar polémica devido à utilização de um solvente químico.
Antes de avançarmos para a parte mais científica, é importante responder à pergunta que não quer calar: um descafeinado não tem mesmo cafeína? A resposta é não. É praticamente impossível remover 100% da cafeína dos grãos.
No entanto, café descafeinado tem muito pouca cafeína e, segundo estudos científicos, mantém grande parte dos benefícios associados ao consumo de café. Mas há diferenças na forma como a descafeinação é feita e vale a pena perceber o que é que está a beber quando pede esta bebida.
Como é que se retira a cafeína de um café?
Segundo uma investigação feita pela CNN Portugal sobre os métodos de descafeinação e o debate em torno do cloreto de metileno, a cafeína é removida dos grãos de café ainda verdes, antes da torra. E existem três métodos principais.
O mais utilizado recorre a solventes, como o cloreto de metileno ou o acetato de etilo, que se ligam à cafeína e permitem extraí-la dos grãos. No final do processo, os grãos são novamente tratados para eliminar quaisquer resíduos do solvente.
As alternativas passam pelo método Swiss Water, que utiliza apenas água e filtros de carvão ativado, ou pelo dióxido de carbono (CO₂) sob alta pressão, dois processos cada vez mais populares por dispensarem solventes químicos.
Afinal, o descafeinado tem químicos?
Depende do método utilizado. O cloreto de metileno, usado em parte da indústria, é um composto também utilizado noutros processos industriais e classificado como potencial cancerígeno em exposições elevadas por entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras agências internacionais.
No entanto, as autoridades de segurança alimentar, incluindo a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, continuam a permitir a sua utilização na descafeinação, desde que os resíduos finais no café não ultrapassem limites muito rigorosos. Na prática, esses resíduos são normalmente residuais ou praticamente inexistentes.
Apesar disso, vários grupos de saúde pública pediram recentemente à FDA que proíba este método, defendendo que existem alternativas mais seguras, como o Swiss Water ou o processo por CO₂.
Beber descafeinado faz mal?
Até à data, e segundo a investigação da CNN, não existem provas conclusivas de que beber café descafeinado processado com cloreto de metileno represente um risco para a saúde devido aos resíduos presentes na bebida.
Pelo contrário, os estudos continuam a associar o consumo de café descafeinado a benefícios semelhantes aos do café tradicional, incluindo um menor risco de diabetes tipo 2, algumas doenças cardiovasculares, determinados tipos de cancro e mortalidade global.
Porém, alguns especialistas defendem que, sempre que possível, faz sentido optar por métodos de descafeinação sem solventes, até porque essas alternativas já estão amplamente disponíveis.
Resumidamente: Quando bebe um descafeinado continua a beber café, apenas com uma quantidade muito reduzida de cafeína. Seriam necessárias mais de dez chávenas de café descafeinado para ingerir uma quantidade de cafeína semelhante à existente numa única chávena de café normal.