Com a subida das temperaturas, aumenta também o risco associado à exposição ao calor durante o trabalho. A Direção-Geral da Saúde (DGS) alerta para o chamado stress térmico, uma situação que pode afetar a saúde e também a capacidade de realizar tarefas em segurança.
O aviso é particularmente relevante para quem trabalha ao ar livre, mas não só. O risco também existe em ambientes interiores onde as temperaturas são elevadas, como cozinhas industriais, estufas, lavandarias, oficinas ou outros espaços pouco ventilados.
O que é o stresse térmico?
O stress térmico acontece quando o organismo deixa de conseguir manter a sua temperatura dentro dos valores considerados adequados. De acordo com a informação divulgada pela DGS, a temperatura corporal ideal situa-se aproximadamente entre os 36 ºC e os 37 ºC.
Quando o corpo é exposto a calor excessivo, pode ter dificuldade em libertar o calor acumulado, aumentando o risco de problemas relacionados com o calor. Por isso, a exposição a temperaturas elevadas durante o trabalho não deve ser encarada apenas como uma questão de desconforto. Pode comprometer o bem-estar, a concentração e a capacidade de executar tarefas em segurança.
Cansaço, tonturas e dores de cabeça são sinais de alerta
A DGS chama a atenção para vários sintomas que podem surgir perante a exposição excessiva ao calor.
Entre os sinais de alerta estão:
- cansaço
- tonturas
- dores de cabeça
- irritação
Estes sintomas não devem ser ignorados, sobretudo quando surgem durante ou depois de um período prolongado de trabalho sob temperaturas elevadas.
A situação pode evoluir rapidamente para um golpe de calor, uma emergência médica. Entre os sinais apresentados pela DGS estão uma temperatura corporal superior a 40 ºC, desmaio, cãibras e perda de consciência.
Em caso de sinais ou sintomas associados ao calor, a DGS recomenda procurar cuidados médicos de imediato.
Quem trabalha ao calor deve ter cuidados redobrados
A exposição não acontece apenas a quem trabalha diretamente ao sol. Trabalhadores no exterior estão entre os grupos que merecem atenção especial, mas também podem existir condições de risco em espaços interiores quentes, pouco ventilados ou com fontes de calor.
A própria DGS recomenda, para quem desenvolve atividades no exterior exposto ao sol e/ou ao calor, beber água com frequência, usar roupa de trabalho leve quando tal for possível e seguro e aproveitar as pausas para arrefecer, preferencialmente em locais com ar condicionado. A autoridade de saúde aconselha ainda que os trabalhadores procurem desenvolver a atividade com outros colegas por perto.
O que fazer para prevenir o stresse térmico?
A recomendação mais simples é também uma das mais importantes: beber água regularmente, mesmo sem ter sede.
A DGS recomenda ainda:
- fazer pausas regulares em locais frescos, à sombra ou com boa circulação de ar;
- planear as tarefas mais exigentes para as horas de menor calor, sempre que possível;
- usar equipamento de trabalho leve, respirável e adequado às condições de segurança;
- proteger-se do sol;
- evitar esforços físicos intensos durante os períodos de maior calor.
Nas recomendações gerais para os dias quentes, a DGS aconselha a procurar ambientes frescos e arejados ou climatizados e a aumentar a ingestão de água.
O que fazer se um colega se sentir mal?
Se um trabalhador começar a apresentar sintomas associados ao calor, não deve continuar simplesmente a trabalhar. A DGS recomenda procurar apoio médico de imediato se algum colega se sentir mal. Enquanto isso, é importante interromper a exposição ao calor e procurar um local mais fresco para ajudar a arrefecer o corpo.
A evolução para um golpe de calor pode ser rápida e, em situações extremas, pode colocar a vida em risco. Por isso, perante temperaturas elevadas, a recomendação da DGS é simples: hidratar, fazer pausas, procurar locais frescos e estar atento aos sinais do corpo.