CARAVELA
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“Senti uma descarga brutal e achei que ia morrer”: deve reportar sempre quando vê uma caravela portuguesa

IOL
10 jul., 16:42
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A caravela-portuguesa não é uma alforreca, mas sim uma colónia de organismos que flutua à superfície do mar

Com o verão a levar milhares de pessoas às praias portuguesas, aumenta também a probabilidade de encontrar um dos organismos marinhos mais perigosos da nossa costa: a caravela-portuguesa. Sempre que avistar um exemplar, há um gesto simples que pode ajudar a proteger outros banhistas e apoiar a monitorização científica: reportar a ocorrência ao programa GelAvista, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A importância desse alerta torna-se evidente ao recordar um caso que marcou o verão de 2023. Javier Díaz Guereñu, então com 58 anos, entrou na água na praia de Ondarreta, em San Sebastián, Espanha, sem imaginar que iria cruzar-se com uma caravela-portuguesa. O resultado foi devastador.

"Senti uma descarga elétrica brutal e achei que ia morrer." O testemunho foi dado ao jornal espanhol El Diario Vasco, citado pelo El Mundo. Javier contou que a dor foi imediata e tão intensa que pensou não conseguir sair da água. "Se tivesse acontecido noutra altura e sem pessoas por perto, nunca teria conseguido sair", recordou. A vítima sofreu convulsões, queimaduras graves na pele e teve de permanecer cerca de dez horas no hospital.

Homem foi picado por caravela-portuguesa

Porque é importante reportar um avistamento?

A caravela-portuguesa (Physalia physalis) não é uma alforreca, mas sim uma colónia de organismos que flutua à superfície do mar graças a um flutuador cheio de gás, semelhante a um pequeno balão azulado ou arroxeado. Os seus tentáculos podem atingir até 30 metros de comprimento, mesmo quando parte deles não é visível à superfície.

Sempre que é avistada numa praia, a informação pode ajudar as autoridades e os investigadores a acompanhar a sua distribuição e a alertar outros utilizadores do mar.

O IPMA apela para que qualquer avistamento — e até a ausência destes organismos — seja comunicado através da aplicação GelAvista ou por email, indicando o local, a data, uma fotografia (se possível) e o número aproximado de exemplares observados. Estes dados contribuem para a monitorização das populações de organismos gelatinosos na costa portuguesa.

Porque aparecem cada vez mais?

A presença de caravelas-portuguesas depende sobretudo dos ventos e das correntes marítimas, que podem transportá-las ao longo de centenas ou milhares de quilómetros. Os investigadores admitem ainda que fenómenos como o aquecimento das águas e outras alterações ambientais podem influenciar a frequência e a distribuição destes organismos.

O que fazer se for picado?

O contacto direto deve ser sempre evitado, mesmo quando o animal parece morto ou está na areia, já que os tentáculos continuam a libertar veneno.

Se ocorrer uma picada, o IPMA recomenda:

  • Lavar cuidadosamente a zona afetada com água do mar, sem esfregar;
  • Nunca utilizar água doce, álcool ou amónia;
  • Remover os tentáculos com uma pinça ou outro objeto adequado, evitando o contacto direto com as mãos;
  • Aplicar calor (como compressas quentes) durante cerca de 20 minutos para ajudar a aliviar a dor;
  • Procurar assistência médica se a dor for intensa, surgirem dificuldades respiratórias, mal-estar generalizado ou outros sintomas preocupantes.

A caravela-portuguesa ocorre regularmente ao longo da costa continental portuguesa, bem como nos Açores e na Madeira, sendo considerada uma das espécies gelatinosas mais perigosas presentes nas águas nacionais. Por isso, se encontrar uma durante um passeio na praia ou no mar, mantenha a distância e comunique o avistamento: um simples reporte pode ajudar a evitar novos acidentes.

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