O preço do metro quadrado (m2) dos anúncios de casas no distrito de Lisboa caiu 3,3% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026. De acordo com o Observatório do Imobiliário do Doutor Finanças, esta evolução está em linha com a registada a nível nacional, na qual se assitstiu a um recuo de 3,4% no preço anunciado do metro quadrado.
Apesar deste ligeiro recuo no preço anunciado, a taxa de esforço das famílias mantém-se elevada. Para pagar a prestação de um apartamento T2 na capital, um casal com um salário médio tem de gastar mais de metade do rendimento.
É importante destacar que os valores deste observatório se baseiam em preços anunciados, não correspondendo necessariamente a preços efetivos de transação.
Apesar da descida, não há nenhum distrito tão caro como Lisboa
O preço dos anúncios caiu entre abril e junho, mas isso não impede que o distrito de Lisboa continue a ser o mais caro do país. A diferença para a média nacional é grande, e chega a ser de quase 3.000 euros/m2 na tipologia T0 (6.035€ /m2 contra 3.276€ /m2).
A diferença mais curta é a da tipologia T2 (5.698€ /m2 contra 3.953€ /m2). Já os imóveis T1 são aqueles em que o preço do m2 anunciado é mais caro: 6.654 euros no distrito de Lisboa e 4.436 euros a nível nacional.
Ainda assim, se nas regiões mais caras, como Lisboa, Setúbal ou Região Autónoma da Madeira, os preços desceram, nas regiões mais baratas registou-se o movimento inverso. Foi o que aconteceu, por exemplo, em Viseu, Santarém e Portalegre.
Índice de acessibilidade melhorou no segundo trimestre
O Índice de Acessibilidade Habitacional (IAH), que mede a relação entre o rendimento médio de um agregado e a prestação mensal de um crédito habitação, melhorou tanto em Lisboa como na média nacional na compra de um apartamento T2.
No primeiro caso, o IAH aumentou de 1,67 em março para 1,91 em julho. Já a nível nacional passou de 2,01 para 2,05.
No caso das moradias T3 apenas houve melhorias em Lisboa: passou de 1,25 para 1,34. A nível nacional houve uma ligeira descida, de 1,90 para 1,89.
Importa referir que quanto mais elevado for o IAH, maior é a capacidade financeira das famílias para suportarem a prestação do crédito habitação.
Pagar a prestação continua a exigir gastar mais de 50% do rendimento
Se os valores dos anúncios correspondessem exatamente ao preço de venda, a prestação média de um apartamento T2 em Lisboa seria de 1.425 euros por mês, bastante acima da média nacional (1.153 euros).
Neste caso, um casal teria de gastar 52% do rendimento mensal no pagamento da prestação.
No caso de uma moradia T3 o cenário é ainda mais complicado. É que a prestação média de 2.039 euros corresponde a 75% do rendimento de um casal que aufira dois salários médios.