A ANACOM lançou um alerta para uma nova vaga de chamadas fraudulentas em que os burlões se fazem passar por colaboradores da autoridade reguladora das comunicações. O objetivo é assustar as vítimas com alegadas infrações e levá-las a fornecer mais informações pessoais.
A redação do IOL conhece pelo menos um caso ocorrido há poucos dias. "Ligou-me um homem, identificando-se como funcionário da ANACOM, a dizer que o meu número tinha sido identificado como sendo origem de várias infrações. Estranhei a conversa e a voz muito acelerada, com um sentido de urgência", conta Maria Silva. "De seguida, o homem disse que ia transferir a chamada para a Polícia Judiciária e eu respondi que ia falar, então, com o meu advogado e desliguei. Percebi que era fraude."
Segundo a ANACOM, entre os dias 20 e 22 de maio foram reportadas várias situações semelhantes. Os autores das chamadas recorrem a uma técnica conhecida como "spoofing", que permite falsificar o número de origem da chamada. Desta forma, o telefone da vítima pode mostrar o número 800 206 665, associado ao serviço de atendimento da própria ANACOM, criando uma falsa sensação de confiança.
Nos casos reportados, os interlocutores alegam situações como o envio de mensagens fraudulentas, furtos de telemóveis ou outras atividades ilícitas supostamente associadas ao número da vítima. Em alguns casos, referem ainda alegadas comunicações da Polícia Judiciária e ameaçam com o bloqueio do número de telefone ou de serviços de comunicações.
A entidade explica que estas chamadas seguem normalmente um padrão: os burlões utilizam alguns dados pessoais corretos ou parcialmente corretos, apresentam nomes e números de identificação falsos, criam um ambiente de pressão e urgência e tentam recolher mais informações junto da vítima.
A ANACOM sublinha, em comunicado divulgado no site oficial, que não está a realizar contactos desta natureza e garante que nunca solicita dados pessoais por telefone nem os partilha com outras entidades, incluindo forças policiais.
O que deve fazer se receber uma destas chamadas?
A autoridade recomenda que:
- Não atenda nem devolva chamadas provenientes do número 800 206 665 quando surgirem neste contexto;
- Não forneça nem confirme dados pessoais;
- Procure confirmar a identidade de quem o está a contactar;
- Peça que o contacto seja realizado mais tarde para permitir essa verificação.
Caso suspeite de uma tentativa de fraude ou tenha sido vítima deste esquema, deve contactar as autoridades de segurança e apresentar queixa junto da PSP, GNR, Ministério Público ou do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da sua área de residência.