Conseguem sobreviver a quase tudo: podem ser cozidos, congelados, disparados por uma arma ou enviados para o espaço. Alguns especialistas acreditam até que este micro-animal de oito patas poderá sobreviver a todas as outras espécies na Terra, incluindo os humanos, e resistir até ao fim do Sol.
Enquanto um ser humano morreria no espaço sem proteção, os tardígrados, estes animais minúsculos, com cerca de 1 mm, já sobreviveu a isso e muito mais. Ao microscópio, os tardígrados, também chamados “ursos-de-água”, têm um aspeto peculiar, com rostos deformados, garras afiadas e dentes pontiagudos, de acordo com a BBC.
Em 2007, tornaram-se os primeiros animais conhecidos a sobreviver a uma exposição direta ao espaço. Quando o satélite que os transportava regressou, muitos (embora não todos) tinham sobrevivido, e algumas fêmeas chegaram a pôr ovos no espaço, cujas crias nasceram saudáveis.
Os tardígrados também estavam numa missão israelita de 2019, chamada Beresheet, que tentou aterrar na Lua, mas a sonda acabou por se despenhar, não sendo claro se sobreviveram.
Os cientistas procuram agora aproveitar estas capacidades extraordinárias, desde proteger pacientes de radioterapia até conservar alimentos e medicamentos em viagens espaciais longas.
São conhecidas cerca de 1.500 espécies de tardígrados. São parentes próximos dos artrópodes, mas a sua posição exata no reino animal ainda não está definida.
Gostam de ambientes húmidos com musgo, líquenes ou folhas, podendo até ser encontrados em jardins. Ao mesmo tempo, são famosos por resistirem a locais extremamente inóspitos: foram descobertos nos Himalaias, no fundo do oceano, na Antártida e até em fontes termais altamente ácidas no Japão, embora este último caso não tenha sido replicado.
Experiências realizadas para testar os seus limites mostram que os tardígrados suportam níveis de radiação mil vezes superiores aos letais para humanos, conseguem resistir a temperaturas de 150 ºC e a quase o zero absoluto. Em 2021, foram até disparados dentro de projéteis, tendo sobrevivido a velocidades até 900 m/s, superiores às de uma arma de mão comum.
A razão pela qual conseguem resistir a tudo isto está numa série de mecanismos especiais que estes pequenos animais desenvolveram ao longo da evolução.