Lina Medina e a sua família estavam longe de imaginar que marcariam a história e a Ciência para sempre. A família, oriunda de uma zona pobre do Peru, viu-se no centro das atenções depois de a menina ter-se tornado, com uns chocantes cinco anos, a mãe mais nova do mundo. A história ainda não foi desvendada do ponto de vista criminal, mas é explicada pelos cientistas.
Lina nasceu com uma condição hormonal que provocou uma puberdade muito precoce, fazendo dela um caso de estudo até hoje. Estávamos em 1939 quando o impensável aconteceu e, 92 anos depois e com a peruana ainda viva, o caso motiva ainda atenção científica.
Numa região dominada na época pelo analfabetismo e crenças rurais, os sinais de puberdade numa criança de apenas dois anos foram sendo atribuídos à lua, como relatou o jornal El Mundo em 2018, e nunca foram sujeitos a avaliação médica. A menina nascera em 1933.
É em 1939, que os pais decidem ir ao hospital, pois a criança – que já mostrava uma barriga anormalmente inchada – queixava-se com dores lancinantes. Como relata o mesmo artigo do jornal espanhol, publicado em 2018, a família demorou dois dias até conseguir chegar ao hospital.
Os médicos que receberam a criança não queriam acreditar no que estavam a ver e foi o chefe de equipa de ginecologia que acabou por tomar conta do caso e salvar Lina e o bebé que carregava na barriga. O menino nasceu através de cesariana, com pouco menos de três quilos e ganhou o nome do médico, Gerardo. Como seria de esperar, foi notícia em todo o mundo e ainda hoje muito se escreve sobre o caso.
Seguiu-se uma investigação feroz acerca de quem seria o autor da violação desta criança. Irmãos rapazes e pai são os primeiros suspeitos, assim como vizinhos da região montanhosa e pobre onde residiam. Seguiram-se interrogatórios complexos e bastante violentos, segundo os relatos. Porém, a falta de provas impede que se descubra a verdade. E, até hoje, Lina nunca revelou quem poderia ser o pai do bebé.
"Estamos perante duas monstruosidades : uma biológica - a possibilidade de gestação aos quatro anos e meio de idade - e outra social: o facto de esta infeliz criatura ter-se cruzado com um homem capaz de violá-la”, disse um médico peruano, citado pelo El Mundo.
Começaram a surgir propostas de particulares, pagas com verdadeiras fortunas, para levar a menina e o bebé para os Estados Unidos para serem estudados e terem uma vida material mais confortável. Ficaram no hospital quase um ano, em Lima. Porém, as propostas, os presentes constantes e a proteção estatal acabariam em 1941 e os meninos voltaram a um cenário de pobreza.
O bebé, Gerardo, cresceu a acreditar que era irmão da própria mãe, vindo só a conhecer a verdade na adolescência. Cresceu saudável, mas morreu aos 40 anos devido a uma doença na medula óssea.
Lina viria a casar-se com 38 anos, voltou a engravidar e teve um bebé saudável. A peruana tem hoje 92 anos.