Crianças na praia
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Afinal, é ou não perigoso entrar na água a meio da digestão? Depende, explicam especialistas

IOL
5 jun., 12:19
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Segundo a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), a resposta não é tão simples quanto um sim ou um não.

Quem nunca ouviu o aviso dos pais ou dos avós: "Não vás para a água agora, ainda estás a fazer a digestão"? Durante décadas, esta recomendação fez parte dos verões de muitos portugueses e continua a gerar dúvidas sempre que chega a época dos mergulhos.

Mas afinal, existe mesmo o risco de uma "paragem de digestão" ao entrar na água depois de comer?

Segundo a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), a resposta não é tão simples quanto um sim ou um não. A verdade é que não existe uma relação direta entre tomar banho e sofrer uma interrupção da digestão, mas há situações específicas que podem aumentar o risco de mal-estar.

A digestão é um processo fisiológico normal através do qual o organismo processa os alimentos. Durante este período, há uma redistribuição do fluxo sanguíneo, com maior concentração de sangue no aparelho digestivo para ajudar a processar a refeição.

É precisamente esta alteração que está na origem de muitas das teorias associadas à chamada "paragem de digestão".

O que pode realmente acontecer?

De acordo com a APSI, a interrupção da digestão pode ocorrer por diferentes motivos, como refeições excessivas, stress ou exercício físico intenso.

Em teoria, uma exposição súbita a água muito fria também pode provocar uma resposta do organismo conhecida como choque térmico. Nessa situação, o corpo dá prioridade à manutenção da temperatura corporal, podendo ocorrer uma redistribuição rápida do fluxo sanguíneo.

Quando isso acontece, podem surgir sintomas como mal-estar, náuseas, tonturas e, em casos mais graves, vómitos ou até perda de consciência.

No entanto, os especialistas sublinham que o problema não está propriamente no facto de entrar na água após comer, mas sim nas condições em que isso acontece.

Então é preciso esperar quanto tempo?

Segundo a APSI, um banho de higiene com água próxima da temperatura corporal, cerca de 37 graus, não interfere na digestão. Por isso, não existe necessidade de esperar qualquer período específico entre a refeição e o banho.

Já quando falamos de atividades aquáticas, como nadar no mar, numa piscina, num rio ou numa barragem, a recomendação é diferente.

Os especialistas aconselham a evitar refeições pesadas antes de atividades aquáticas e a fazer sempre uma entrada gradual na água, especialmente quando esta está fria. Em situações de água muito fria, pode ser prudente aguardar mais algum tempo até a digestão estar mais avançada.

Os sinais a que deve estar atento

Independentemente do tempo que passou desde a refeição, há um sinal que nunca deve ignorar.

Se sentir tonturas, náuseas, fraqueza, arrepios ou qualquer sensação de mal-estar ao entrar na água, deve sair imediatamente, procurar um local arejado e descansar. Caso os sintomas persistam ou se agravem, deve procurar assistência médica.

O mito tem um fundo de verdade?

Em parte, sim. Não existe evidência de que entrar na água após comer provoque automaticamente uma "paragem de digestão". No entanto, uma combinação de fatores como refeições muito pesadas, água fria e atividade física intensa pode aumentar o risco de mal-estar.

Por isso, mais do que olhar para o relógio e contar horas após a refeição, o importante é avaliar as condições em que vai entrar na água e ouvir os sinais do próprio corpo.

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