Ter um fundo de emergência não é apenas um conselho de literacia financeira. Para muitas famílias, é a diferença entre conseguir reagir a um imprevisto ou entrar em dificuldades financeiras.
Uma despesa inesperada, uma quebra de rendimentos ou uma reparação urgente podem desequilibrar rapidamente o orçamento.
1 – Perceba quanto custa manter o essencial
O primeiro passo para criar um fundo de emergência passa por perceber quanto dinheiro precisa para garantir a estabilidade financeira durante alguns meses.
Nesta conta, deve incluir apenas despesas essenciais, como:
- Renda ou prestação da casa;
- Alimentação;
- Água, luz, gás e telecomunicações;
- Transportes;
- Seguros;
- Prestações de créditos.
Tudo o que for lazer, compras não essenciais ou subscrições pode ficar de fora. O objetivo é perceber qual o valor mínimo necessário para manter o essencial, caso haja uma quebra de rendimentos.
2 – Defina um objetivo ajustado à sua realidade
Não existe um valor igual para toda a gente. O montante ideal depende da estabilidade financeira de cada agregado familiar.
A recomendação é acumular entre três e seis meses de despesas essenciais. Mas quem trabalha por conta própria, tem rendimentos variáveis ou depende apenas de um salário pode precisar de uma margem maior.
Por exemplo, se gastar 1.000 euros por mês, deverá tentar acumular entre 3.000 e 6.000 euros.
Contudo, o mais importante é começar. Mesmo uma reserva equivalente a um ou dois meses já oferece alguma proteção.
3 – Comece com valores pequenos, mas regulares
Um dos maiores erros é adiar a criação do fundo porque não consegue poupar muito dinheiro. Porém, a consistência pesa mais do que o valor inicial. Poupar 50 ou 100 euros todos os meses pode parecer pouco, mas ao longo do tempo cria uma almofada financeira relevante.
Opte por uma poupança automática para uma conta separada. Assim reduz o risco de gastar esse dinheiro no dia a dia.
4 – Aproveite entradas extra de dinheiro
Há momentos do ano que podem acelerar a criação do fundo de emergência sem pressionar tanto o orçamento mensal.
O subsídio de férias, o subsídio de Natal, prémios ou o reembolso do IRS podem ser usados para reforçar esta reserva.
Por exemplo, canalizar 500 euros anuais para o fundo permite atingir o objetivo mais rapidamente e reduzir a dependência do crédito em caso de urgência.
5 – Guarde o dinheiro num local seguro e acessível
O fundo de emergência deve estar disponível quando surge um imprevisto. Por isso, a prioridade não deve ser a rentabilidade.
O dinheiro deve ficar:
- Separado da conta à ordem;
- Com acesso rápido;
- Sem risco de perda de capital.
Tentar investir esta reserva em produtos com risco ou com mobilização demorada pode comprometer a sua função principal.
6 – Reveja o fundo ao longo do tempo
Criar o fundo não é um objetivo fechado. As despesas mudam e a inflação reduz o poder de compra ao longo do tempo. Se a renda aumentar, nascer um filho ou houver alterações no orçamento familiar, o valor da reserva também deve ser ajustado.
7 – Use o fundo apenas em verdadeiras emergências
O fundo de emergência não serve para férias, compras de tecnologia ou despesas previsíveis.
Esta reserva deve ser usada apenas em situações inesperadas, como:
- Desemprego;
- Quebra significativa de rendimentos;
- Despesas de saúde urgentes;
- Reparações indispensáveis na casa ou automóvel.
Sempre que recorrer ao fundo, o objetivo seguinte deve ser reconstruí-lo o mais rapidamente possível.