As notícias relacionadas com apreensões de garrafas da chamada “droga do riso” têm surgido nos últimos anos com mais frequência em Portugal. Conhecida assim por tratar-se de um gás que provoca euforia, esta é uma substância que resulta numa alegria imediata e que se tornou popular entre os jovens portugueses.
Trata-se, na verdade, de óxido nitroso ou protóxido de azoto, como é conhecido entre os cientistas. E os riscos são mais que muitos, como explicou ao IOL a professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) Helena Gaspar. Sobre a inalação direta do gás a partir de garrafas (ou outro tipo de dispensadores), existe o risco de a pressão elevada provocar rutura do tecido pulmonar e de as baixas temperaturas atingidas pelo gás (-40ºC a -55ºC) originarem queimaduras graves.“A inalação de quantidades elevadas do gás hilariante pode levar a uma diminuição da quantidade de oxigénio nos pulmões e, consequentemente, a situações de hipóxia que podem produzir lesões cerebrais graves e em casos extremos à morte por asfixia”, explica a investigadora.
Também se sabe que o óxido nitroso tem a capacidade de inativar irreversivelmente a vitamina B12, que está envolvida em diversas funções biológicas essenciais ao corpo humano, como a síntese do ADN, a formação de células sanguíneas e o funcionamento do sistema nervoso, explica ainda Helena Gaspar. “O corpo humano não consegue produzir a B12. Assim, a diminuição da quantidade desta vitamina por consumo regular ou intensivo do gás hilariante pode gerar danos permanentes no sistema nervoso central. Esta diminuição da quantidade da vitamina também pode afetar a produção de glóbulos vermelhos – e agravar o estado de saúde de quem sofre de anemia ou de quem tem regimes alimentares deficientes em B12”, refere.
A droga do riso é socialmente aceite entre os jovens
A investigadora explica que “na população em geral pode predominar uma falsa sensação de segurança que leva o gás hilariante a ter uma aceitação social que outras drogas não têm, mas são apenas aparências que não têm em conta os reais riscos para a saúde”.
Helena Gaspar sublinha que o consumo do gás hilariante “está longe de ter piada e é desaconselhado o uso abusivo para efeitos recreativos”, sendo “uma substância psicoativa consumida há mais de 250 anos devido aos efeitos de euforia, relaxamento, calma e dissociativo”.
A inalação provoca um efeito rápido, mas dura pouco. E por isso, justifica a especialista, “há a tendência para consumos mais frequentes e repetitivos, que aumentam os potenciais riscos para a saúde”.
Droga usada para fazer chantilly e medicamentos
A substância do “gás do riso”, em quantidades adequadas, é usada para outros fins, que poucos conhecem. “Descoberto por Joseph Priestley no século XVIII, é hoje produzido com recurso a processos industriais. Tem sido usado, ao longo dos anos, na culinária para fazer chantilly ou espumas leves e como medicamento anestésico”, explica a docente universitária. Além do consumo humano, pode ser usado para aumentar a potência dos motores de combustão. “Também se sabe que há atividades agrícolas e industriais que libertam óxido nitroso para atmosfera, contribuindo para a destruição da camada de ozono”, refere Helena Gaspar.
A especialista recomenda o site da EUDA, sua principal fonte, para mais informações sobre este tema.