Discoteca Imagem Freepik
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Traz uma sensação de alegria imediata, mas pode provocar lesões graves: os riscos da droga da moda

IOL
8 abr., 16:02
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Usada para fazer chantilly e medicamentos, parece inofensiva e é usada cada vez mais para fins recreativos

As notícias relacionadas com apreensões de garrafas da chamada “droga do riso” têm surgido nos últimos anos com mais frequência em Portugal. Conhecida assim por tratar-se de um gás que provoca euforia, esta é uma substância que resulta numa alegria imediata e que se tornou popular entre os jovens portugueses.

Trata-se, na verdade, de óxido nitroso ou protóxido de azoto, como é conhecido entre os cientistas. E os riscos são mais que muitos, como explicou ao IOL a professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) Helena Gaspar. Sobre a inalação direta do gás a partir de garrafas (ou outro tipo de dispensadores), existe o risco de a pressão elevada provocar rutura do tecido pulmonar e de as baixas temperaturas atingidas pelo gás (-40ºC a -55ºC) originarem queimaduras graves.“A inalação de quantidades elevadas do gás hilariante pode levar a uma diminuição da quantidade de oxigénio nos pulmões e, consequentemente, a situações de hipóxia que podem produzir lesões cerebrais graves e em casos extremos à morte por asfixia”, explica a investigadora.

Também se sabe que o óxido nitroso tem a capacidade de inativar irreversivelmente a vitamina B12, que está envolvida em diversas funções biológicas essenciais ao corpo humano, como a síntese do ADN, a formação de células sanguíneas e o funcionamento do sistema nervoso, explica ainda Helena Gaspar. “O corpo humano não consegue produzir a B12. Assim, a diminuição da quantidade desta vitamina por consumo regular ou intensivo do gás hilariante pode gerar danos permanentes no sistema nervoso central. Esta diminuição da quantidade da vitamina também pode afetar a produção de glóbulos vermelhos – e agravar o estado de saúde de quem sofre de anemia ou de quem tem regimes alimentares deficientes em B12”, refere.  

A droga do riso é socialmente aceite entre os jovens

A investigadora explica que “na população em geral pode predominar uma falsa sensação de segurança que leva o gás hilariante a ter uma aceitação social que outras drogas não têm, mas são apenas aparências que não têm em conta os reais riscos para a saúde”.

Helena Gaspar sublinha que o consumo do gás hilariante “está longe de ter piada e é desaconselhado o uso abusivo para efeitos recreativos”, sendo “uma substância psicoativa consumida há mais de 250 anos devido aos efeitos de euforia, relaxamento, calma e dissociativo”.

A inalação provoca um efeito rápido, mas dura pouco. E por isso, justifica a especialista, “há a tendência para consumos mais frequentes e repetitivos, que aumentam os potenciais riscos para a saúde”.

Droga usada para fazer chantilly e medicamentos

A substância do “gás do riso”, em quantidades adequadas, é usada para outros fins, que poucos conhecem. “Descoberto por Joseph Priestley no século XVIII, é hoje produzido com recurso a processos industriais. Tem sido usado, ao longo dos anos, na culinária para fazer chantilly ou espumas leves e como medicamento anestésico”, explica a docente universitária. Além do consumo humano, pode ser usado para aumentar a potência dos motores de combustão. “Também se sabe que há atividades agrícolas e industriais que libertam óxido nitroso para atmosfera, contribuindo para a destruição da camada de ozono”, refere Helena Gaspar.

A especialista recomenda o site da EUDA, sua principal fonte, para mais informações sobre este tema.

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