O dia começa a parecer noite. A luz desaparece, a temperatura pode baixar ligeiramente e, durante alguns minutos, o ambiente fica completamente diferente. Para nós, o eclipse solar é um espetáculo raro. Para um cão ou um gato, a perceção é bem diferente.
Portugal prepara-se para assistir, na próxima quarta-feira, 12 de agosto, a um eclipse solar. E enquanto milhares de pessoas vão estar de olhos postos no céu, há uma pergunta que muitos tutores poderão fazer: como vão reagir os animais de companhia?
O eclipse solar não representa, por si só, um risco para cães e gatos. Ainda assim, a alteração temporária da luminosidade e uma eventual descida da temperatura podem provocar pequenas mudanças no comportamento de alguns animais.
Quem o explica é Sara Curvelo, médica veterinária do AniCura Hospital Veterinário, citada pela Pets in Town, da NiT. “Os cães e os gatos regulam parte das suas rotinas através do ritmo circadiano, o chamado relógio biológico, que responde aos ciclos naturais de luz e escuridão”, explica a especialista.
Por isso, durante o eclipse, alguns animais podem ficar mais tranquilos, interromper aquilo que estavam a fazer, procurar um lugar para descansar ou até aproximar-se mais dos seus tutores. Nada disto significa, necessariamente, que exista algum problema.
Afinal, porque é que o eclipse pode alterar o comportamento dos animais?
A explicação está, sobretudo, na mudança repentina das condições ambientais.
Para muitos cães e gatos, a diminuição da luz poderá ser interpretada como uma espécie de chegada antecipada do entardecer. O organismo está habituado a associar determinados níveis de luminosidade a diferentes momentos do dia e pode, por isso, ajustar temporariamente alguns comportamentos.
De acordo com Sara Curvelo, estas alterações tendem a ser passageiras e desaparecem pouco tempo depois de o fenómeno terminar. Ou seja: se o cão ficar mais sossegado ou se o gato decidir procurar um canto mais resguardado enquanto o céu escurece, não é caso para entrar em pânico.
O maior problema pode nem estar no eclipse! Curiosamente, aquilo que mais poderá perturbar alguns animais não será propriamente o fenómeno astronómico.
Segundo a médica veterinária citada pela Pets in Town, da NiT, deslocações para locais de observação, grandes concentrações de pessoas, barulho ou mudanças na rotina podem ser mais exigentes para cães e gatos sensíveis.
E há outro fator que não deve ser esquecido: os próprios tutores. Um ambiente invulgar, com mais pessoas, mais movimento ou maior agitação, pode deixar alguns animais desconfortáveis. Se o dono estiver ansioso ou alterar significativamente a rotina habitual, o animal poderá também reagir a essas mudanças.
Por isso, para quem tem animais em casa, a melhor estratégia durante o eclipse parece ser precisamente a mais simples: não transformar o fenómeno numa situação extraordinária para o animal.
O que fazer para ajudar o seu cão ou gato?
Não são necessários cuidados especiais apenas por causa do eclipse. A recomendação passa sobretudo por manter a normalidade.
Entre os conselhos deixados por Sara Curvelo estão:
- Manter os horários habituais de alimentação, passeios e descanso
- Disponibilizar um espaço confortável e tranquilo onde o animal possa ficar
- Evitar grandes aglomerações ou ambientes pouco familiares, sobretudo se o animal for mais sensível
- Manter uma atitude calma, transmitindo segurança
- Respeitar o comportamento do animal, permitindo que descanse ou procure um local mais resguardado, caso seja essa a sua vontade
“Cada animal reage de forma diferente aos estímulos do ambiente”, explica a médica veterinária, sublinhando que uma alteração ligeira e temporária do comportamento não significa, por si só, que exista um problema.
Na maioria dos casos, o animal deverá regressar rapidamente ao seu comportamento habitual depois de o eclipse terminar.
E quando é que deve ficar preocupado?
Uma reação momentânea não é, por si só, motivo de preocupação. No entanto, se o comportamento diferente persistir depois do eclipse ou se surgirem sinais de ansiedade intensa, os especialistas recomendam procurar aconselhamento junto de um médico veterinário.
O mais importante, durante o fenómeno, é observar o animal e não forçá-lo a comportar-se de determinada forma. Afinal, enquanto os humanos vão querer aproveitar cada segundo de um dos fenómenos astronómicos mais aguardados do ano, cães e gatos podem simplesmente querer fazer aquilo que fazem melhor: procurar o seu canto favorito e esperar que o mundo volte ao normal.