Gerada por AI
Gerada por AI

Padaria e pastelaria querem atrair jovens. Como a ACIP tenta dar palco ao ofício

Bizpliz!
29 jul., 17:00

Concursos, formação e comunicação setorial ajudam a mostrar uma profissão que continua a ser essencial, mas nem sempre é bem explicada às novas gerações

O pão chega todos os dias à mesa, mas quase nunca se vê o trabalho que começou horas antes. Na pastelaria acontece o mesmo: o produto final aparece limpo, bonito e pronto a vender, mas atrás dele há técnica, tempo, precisão e rotinas que não se improvisam. Essa parte invisível pesa na forma como os jovens olham para o setor. Para muitos, padaria e pastelaria significam horários difíceis, esforço físico e pouca progressão. A imagem não é totalmente errada, mas fica incompleta. A ACIP, associação nacional ligada à panificação, pastelaria e similares, tem trabalhado precisamente numa das frentes mais importantes para o futuro do setor: dar visibilidade ao ofício, às empresas e aos profissionais.

Que imagem ainda existe sobre estas profissões?

Existe a ideia de que são profissões antigas, pouco tecnológicas e com pouca margem de evolução. Mas uma padaria ou pastelaria moderna já envolve muito mais do que saber repetir uma receita. Há conhecimento sobre matérias-primas, fermentação, temperaturas, tempos de descanso, equipamentos, segurança alimentar, atendimento e adaptação a novos hábitos de consumo. Na pastelaria, entra ainda a dimensão visual e criativa, além da consistência técnica. Estas competências têm valor. O desafio é mostrá-las antes de haver uma vaga aberta e antes de um jovem decidir que este caminho não é para si.

Como é que a ACIP valoriza o setor?

Uma das formas tem sido dar palco público à qualidade dos produtos e ao trabalho das empresas. A ACIP organiza concursos nacionais como "O Melhor Bolo-Rei de Portugal", "O Melhor Folar e Pão de Ló de Portugal" e "O Melhor Pão de Portugal". Estes concursos não resolvem, por si só, a dificuldade de recrutamento. Mas ajudam a combater a ideia de que o setor é invisível ou pouco exigente. Mostram técnica, identidade regional, inovação no produto e orgulho profissional. Também criam referências. Para quem está fora do setor, ver empresas e profissionais reconhecidos pode mudar a perceção sobre o que significa trabalhar numa padaria ou numa pastelaria.

A formação continua a ser decisiva?

Sim. A entrada nestas profissões depende muito da aprendizagem prática. A história da ACIP inclui ligação ao Centro de Formação Profissional para o Sector Alimentar, numa área em que a transmissão de conhecimento continua a ser central. Para um jovem, a profissão torna-se mais clara quando existe um percurso compreensível: formação, primeira experiência, acompanhamento, autonomia e progressão. Sem esse mapa, o setor parece fechado ou difícil de conhecer. Também é preciso atualizar a forma como estas profissões são apresentadas. Hoje, trabalhar em padaria ou pastelaria pode incluir tecnologia, atendimento, segurança alimentar, produção diferenciada e relação direta com o cliente.

Porque é que isto interessa às empresas?

Sem renovação geracional, as empresas ficam mais expostas à falta de trabalhadores, ao envelhecimento das equipas e à perda de conhecimento prático. Um bom profissional influencia a qualidade do produto, o ritmo de produção e a relação com o cliente. Valorizar o ofício é, por isso, uma forma de proteger o negócio. Não basta pedir que os jovens entrem no setor. É preciso mostrar porque vale a pena entrar. Nos próximos anos, a diferença pode estar na capacidade de juntar formação, exemplos reais, concursos, comunicação setorial e processos de recrutamento mais claros. A profissão continua lá. Falta, muitas vezes, apresentá-la com outra luz.
 

Navegue sem anúncios em todos os nossos sites e receba benefícios exclusivos!
TORNE-SE PREMIUM