O turismo do Algarve prepara-se para ter uma nova voz associativa. A AHETA e a AIHSA assinaram, a 6 de julho, um Memorando de Entendimento que abre caminho à fusão das duas entidades numa única associação: a AETA - Associação das Empresas Turísticas do Algarve. A assinatura decorreu na Quinta do Canhoto, em Albufeira, numa cerimónia que juntou mais de 250 pessoas, entre empresários, dirigentes associativos, autarcas e entidades oficiais. A sessão foi presidida pelo Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado.
Para as empresas do setor, a mudança vai além de uma nova sigla. A fusão junta duas estruturas com décadas de intervenção no turismo algarvio e pretende concentrar representação, apoio técnico e capacidade de interlocução junto das entidades públicas.
Quem são as duas associações?
A AHETA - Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve foi criada em junho de 1995, tem sede em Albufeira e representa empresas do setor hoteleiro, imobiliária turística, animação turística e alojamento local.
Segundo a própria associação, a AHETA representa mais de metade da oferta de camas classificadas pela DGT no Algarve, além de campos de golfe, casinos, marinas e parques temáticos da região. A associação publica também informação regular sobre a atividade turística, incluindo boletins mensais e anuários com dados e perspetivas para o setor.
A AIHSA - Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve tem sede em Faro e uma história mais longa. Foi fundada em 1971 como Grémio Distrital dos Hoteleiros e Similares de Faro e representa empresários da hotelaria, restauração e bebidas.
De acordo com a própria associação, a AIHSA apresenta como missão a defesa e promoção dos interesses dos seus associados, a ligação entre agentes privados e setor público, a celebração de convenções coletivas de trabalho e o apoio informativo aos empresários.
Porque é que esta fusão é relevante?
O turismo algarvio envolve realidades muito diferentes: grandes grupos hoteleiros, pequenas empresas familiares, alojamento local, restauração, animação turística, imobiliária turística e serviços ligados à experiência do visitante. Ter uma estrutura mais agregadora pode facilitar a resposta a temas comuns, como formação, regras laborais, apoio jurídico, qualificação das equipas e relação com entidades oficiais. De acordo com a informação divulgada no âmbito do acordo, as duas associações somam cerca de 1.300 associados. A nova AETA deverá, por isso, nascer com uma base empresarial alargada e com equipas técnicas vindas das duas entidades. O objetivo passa por reforçar o apoio aos associados em áreas como acompanhamento jurídico, formação, relações laborais e gestão corrente das empresas. Também está em causa uma representação mais coesa do turismo algarvio perante municípios, Governo, entidades regionais e confederações do setor.
O que foi dito na cerimónia?
Antes da assinatura, foram exibidas mensagens em vídeo de André Gomes, presidente da Região de Turismo do Algarve, e de António Pina, presidente da AMAL, que não puderam estar presentes.
André Gomes afirmou que a assinatura do memorando representa "um momento histórico para a nossa região" e acrescentou que, "quando o Algarve fala a uma só voz torna-se mais forte". António Pina felicitou as duas associações e defendeu que esta união dá ao turismo a "representatividade que merece".
Rui Cristina, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, associou a fusão à maturidade dos empresários algarvios na resposta aos desafios do turismo. Foi depois da sua intervenção que foram apresentados o nome e a identidade visual da AETA.
Daniel do Adro, presidente da Direção da AIHSA, disse que a fusão dá "escala e representatividade" ao setor. Hélder Martins, presidente da Direção da AHETA, apresentou a AETA como uma forma de somar a experiência das duas associações, sem apagar o percurso de nenhuma.
Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal, também elogiou a iniciativa, considerando que o associativismo nacional precisa de exemplos de união. No encerramento, Pedro Machado afirmou que um turismo algarvio mais unido é também um sinal positivo para a competitividade económica do país.
O que acontece agora?
O memorando abre um período de 90 dias para concretizar formalmente a fusão e preparar a eleição dos primeiros corpos sociais da nova associação. Esse período deverá servir para alinhar estruturas, equipas, recursos e funcionamento interno. Só depois desse processo a AETA deverá assumir plenamente o papel de nova associação das empresas turísticas do Algarve. Para uma região onde o turismo tem peso económico, laboral e territorial, a criação da AETA coloca a representação empresarial numa nova fase. A questão, agora, passa por transformar a unidade anunciada em apoio prático às empresas e numa voz mais clara para o setor.