A tecnologia entrou em quase todos os momentos da experiência turística. O cliente pesquisa online, compara preços, lê avaliações, reserva, paga, comunica com a unidade e deixa opinião depois da estadia. Para hotéis, restaurantes e alojamentos, isto mudou a forma de gerir operações e relação com o cliente. No Algarve, a AHETA - Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve tem dado espaço a esta discussão através de eventos, acordos de cooperação, informação técnica e iniciativas dirigidas às empresas. A associação representa hotéis, empreendimentos turísticos, animação turística, imobiliária turística e alojamento local. A digitalização não aparece aqui como moda. Aparece como ferramenta de gestão, serviço e competitividade. E, para muitas empresas, o valor está em perceber que tecnologia escolher, como formar equipas e como integrar novos sistemas sem perder a qualidade da hospitalidade.
Que temas estão em cima da mesa?
Reservas online, faturação, ponto de venda, gestão de restaurantes, sistemas hoteleiros, reputação em plataformas digitais, proteção de dados, marketing, pagamentos e inteligência artificial. Estes temas já fazem parte da rotina de muitas empresas turísticas. O relatório Future of Jobs 2025, do World Economic Forum, coloca inteligência artificial, big data, literacia tecnológica, redes e cibersegurança entre as áreas de competências com maior crescimento previsto. No turismo, isto significa que mais trabalhadores e gestores vão lidar com ferramentas digitais no dia a dia. Mas a tecnologia só ganha valor quando serve a operação. Um sistema pode ajudar a organizar reservas, analisar procura, gerir mesas ou responder mais depressa a clientes. A diferença está na forma como é aplicado por pessoas que conhecem o negócio.
Como tem a AHETA trabalhado a digitalização?
Em fevereiro de 2026, a AHETA divulgou o evento 7Momentos com Performance, realizado no Hotel Real Marina, em Olhão. A iniciativa juntou gestores, decisores e especialistas para refletir sobre desafios das empresas na era digital, incluindo inteligência artificial, cibersegurança, ESG, comunicação, gestão e pessoas. A AHETA também aparece ligada a iniciativas mais técnicas. O F&B Hotel Tech Day, divulgado no site da associação, foi apresentado como um encontro em parceria com a Zone Soft sobre integração entre soluções de Food & Beverage e sistemas de gestão hoteleira. Estes encontros ajudam a transformar temas tecnológicos em decisões concretas. Para uma empresa turística, perceber como se ligam faturação, reservas, restaurante, relatórios e experiência do cliente pode fazer diferença na gestão diária.
Que acordos podem apoiar as empresas?
A AHETA mantém acordos de cooperação com entidades que prestam serviços às empresas associadas. Na área digital, surge a Zone Soft, ligada a software certificado de faturação e ponto de venda, com soluções para restauração, retalho, mobilidade e gestão comercial. Nos parceiros operacionais, a associação apresenta também serviços ligados a marketing online, comunicação digital e apoio à operação. Esta rede de contactos não substitui a decisão de cada empresa, mas facilita o acesso a soluções que podem responder a necessidades frequentes do setor. Para uma pequena unidade, uma mudança tecnológica pode parecer distante ou demasiado técnica. O papel de uma associação empresarial passa muitas vezes por reduzir essa distância, trazendo fornecedores, informação e exemplos para perto das empresas.
Porque é que a reputação digital conta?
O turismo vive muito da confiança. Por isso, as avaliações online, as plataformas de reserva e a transparência na informação ganharam peso. A AHETA divulgou informação sobre o Código de Conduta relativo aos sistemas de avaliação em linha dos alojamentos turísticos, partilhado pelo Turismo de Portugal. O documento, promovido a nível europeu, aborda temas como transparência de preços, informação clara, avaliações fiáveis, condições de cancelamento, proteção de dados e sustentabilidade. Para hotéis e alojamentos, estes pontos estão ligados à relação diária com clientes. Esta é uma frente importante da digitalização: vender mais online conta, mas criar confiança, proteger dados, comunicar melhor e garantir que a experiência digital combina com a experiência no destino conta tanto quanto isso.
O que muda com a IA?
A inteligência artificial pode apoiar atendimento, conteúdos, tradução, análise de reservas, organização de dados e comunicação. Em empresas turísticas, pode libertar tempo em tarefas repetitivas e ajudar equipas a responder com mais rapidez. Ainda assim, a hospitalidade continua a depender de pessoas. A tecnologia pode preparar melhor a operação, mas quem recebe, acompanha pedidos, limpa quartos, serve refeições e cria relação com o cliente continua a ser decisivo. É por isso que a abordagem da AHETA faz sentido: colocar digitalização, IA e sistemas de gestão na mesma conversa que pessoas, formação, serviço e competitividade regional. No turismo algarvio, a tecnologia é mais útil quando ajuda a receber melhor.