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Turismo todo o ano no Algarve. Como a AHETA ajuda empresas a pensar para lá do verão

Bizpliz!
10 ago., 17:00

A associação tem levado empresas, entidades públicas e agentes do território a discutir qualidade, diversificação e novas formas de valorizar a região

O Algarve continua a ser um dos grandes destinos turísticos do país. Mas a conversa sobre a região já não vive só da época alta. Cada vez mais, hotéis, empreendimentos turísticos, restauração, animação turística, golfe, marinas e alojamento local olham para o ano inteiro como espaço de trabalho, investimento e criação de experiências. A AHETA - Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve está no centro dessa conversa. Criada em junho de 1995, sediada em Albufeira e sem fins lucrativos, representa empresas do setor hoteleiro, imobiliária turística, animação turística e alojamento local.

Segundo a própria associação, a AHETA representa mais de metade da oferta de camas classificadas pela DGT no Algarve, a maioria dos campos de golfe, três casinos, marinas e parques temáticos da região. Também participa em órgãos executivos e consultivos ligados ao turismo, incluindo a Região de Turismo do Algarve, a ATA - Associação de Turismo do Algarve e a Confederação do Turismo Português.

Porque é que o tema ganhou nova força?

Falar de turismo durante todo o ano é falar de mais estabilidade para empresas, equipas e território. Quando há atividade mais distribuída, as empresas conseguem planear melhor, os trabalhadores encontram percursos mais consistentes e a região ganha motivos para receber visitantes em diferentes momentos. Essa mudança depende de produto turístico, calendário, promoção externa, dados e articulação. Uma unidade hoteleira pode criar uma boa experiência. Uma região precisa de ligar alojamento, restauração, cultura, natureza, gastronomia, eventos, transportes e entidades públiF96cas. É neste ponto que o papel da AHETA ganha relevância. A associação funciona como espaço de encontro entre empresas e como voz organizada de um setor que precisa de discutir temas comuns sem perder a diversidade da sua oferta.

Que trabalho tem feito a AHETA?

Um dos exemplos mais claros é o debate "Quantidade vs Qualidade: que turismo queremos para o Algarve?", promovido pela AHETA. A iniciativa juntou academia, diretores hoteleiros, dirigentes associativos e entidades do turismo para discutir o caminho de crescimento da região. A própria formulação do debate mostra a intenção da associação: provocar uma conversa útil sobre o modelo turístico do Algarve. A questão passa por receber visitantes, gerar mais valor, distribuir melhor a procura e proteger a atratividade do destino. A AHETA também tem divulgado e acompanhado iniciativas ligadas à diversificação da oferta, como a Feira de Enoturismo do Algarve, que aproxima operadores turísticos, agências de viagens, empresas de animação, restaurantes e unidades hoteleiras. O enoturismo é um bom exemplo de produto que cruza território, gastronomia, cultura e alojamento.

Como entra a cooperação entre setores?

Outra frente passa por ligar melhor as várias peças da cadeia turística. A AHETA divulgou a Sessão de Dinamização da Rede de Cooperação para a Inovação entre Restauração e Alojamento Turístico do Algarve, promovida pelo NERA e pelo KIPT CoLab. A sessão procurou recolher perspetivas dos operadores de alojamento turístico sobre oportunidades de cooperação com a restauração, valorização de produtos endógenos e reforço da identidade territorial. Traduzido para a vida das empresas: mais ligação entre quem recebe, quem cozinha, quem produz e quem cria experiências. Esta é uma forma discreta, mas importante, de promover turismo para lá do verão. O ponto está em criar uma oferta mais completa, com produtos locais, parcerias entre empresas e experiências que façam sentido em diferentes épocas do ano.

Que utilidade tem a informação para as empresas?

A AHETA publica newsletters mensais, balanços anuais e dados estatísticos sobre a atividade turística. Para uma empresa, esta informação ajuda a ler o mercado, comparar momentos do ano, antecipar movimentos e perceber tendências. Num setor tão dependente de procura, reservas, mercados emissores e capacidade instalada, ter informação organizada é uma vantagem prática. Ajuda as empresas a tomar decisões menos isoladas e dá à região uma leitura mais clara sobre o que está a acontecer. O turismo todo o ano constrói-se com campanhas, dados, cooperação, debate e capacidade de transformar recursos locais em produto turístico. A AHETA tem trabalhado precisamente nessa ligação entre empresas, território e estratégia regional.
 

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