A competitividade industrial decide-se no preço, na qualidade, nos prazos e na capacidade de responder ao cliente. Mas há outro fator que voltou a ganhar peso: a energia. Para uma empresa industrial, eletricidade, gás, combustíveis, ar comprimido, aquecimento, refrigeração e funcionamento de equipamentos podem representar uma parte relevante dos custos. Quando a energia sobe ou fica imprevisível, a margem aperta. A ANEME acompanha este tema a partir do setor metalúrgico e eletromecânico, onde muitas empresas dependem de máquinas, processos térmicos, equipamentos de transformação, soldadura, corte, pintura, tratamento de superfícies ou manutenção contínua.
Porque é que a energia entrou no centro da competitividade?
A Europa reconhece que os custos elevados de energia afetam a indústria. No Clean Industrial Deal, apresentado pela Comissão Europeia, a energia acessível aparece como uma das bases da competitividade, com medidas ligadas a eletrificação, mercado interno de energia, eficiência e redução da dependência de combustíveis fósseis importados. Para uma PME, porém, a discussão europeia só interessa se chegar à fábrica. A pergunta diária é simples: onde se consome mais, onde se desperdiça, que equipamentos pesam mais e que investimento pode reduzir custos sem parar a produção? Sem dados, a resposta costuma ser intuitiva. E a intuição, na energia, pode sair cara.
O que tem feito a ANEME nesta área?
A ANEME identifica a energia dentro das áreas de apoio técnico às empresas, juntamente com qualidade, ambiente, licenciamento, segurança no trabalho e outros temas operacionais. Além disso, a associação surge ligada a plataformas e projetos como o C MARKET, focado em eficiência energética e economia de baixo carbono, e o SIMCA, sistema de monitorização de custos ambientais. O projeto Valor Metal 2 também trabalhou pilares como sustentabilidade, economia circular, eficiência ambiental e digitalização. Estas ferramentas mostram uma linha de trabalho importante: antes de reduzir custos, a empresa precisa de medir. Antes de investir, precisa de perceber onde está a perda.
A eficiência é só trocar equipamentos?
Nem sempre. Trocar máquinas pode ajudar, mas há ganhos em organização, manutenção, horários de produção, deteção de fugas, isolamento, monitorização, contratos de energia e reaproveitamento de materiais. Em alguns casos, a eficiência passa por digitalizar medições. Noutros, por rever processos simples que se repetem todos os dias. Também há empresas que precisam de apoio para ligar eficiência energética a incentivos, auditorias ou planos de investimento. Para PME industriais, a dificuldade está muitas vezes em saber por onde começar. A energia cruza produção, manutenção, finanças e gestão.
O que muda para a indústria?
Energia barata não depende apenas da empresa. Depende de mercados, redes, políticas públicas e investimento. Mas a empresa pode ganhar margem quando conhece melhor os seus consumos e toma decisões com dados. Para o setor metalúrgico e eletromecânico, isto é especialmente importante porque a concorrência é internacional. Uma diferença de custos pode pesar numa proposta, numa exportação ou na decisão de produzir cá ou fora. A ANEME pode ajudar ao ligar informação técnica, projetos, formação e instrumentos de monitorização. A fatura energética não é o único problema da indústria, mas é um daqueles que aparece todos os meses. E, por isso, merece gestão permanente.