O ensino profissional nasceu para responder a necessidades concretas do país. Mas essas necessidades mudaram. Hoje, formar um técnico implica ensinar uma prática profissional e preparar para ferramentas digitais, critérios de sustentabilidade, novas formas de organização e competências que antes não estavam no centro dos currículos.
A ANESPO - Associação Nacional de Escolas Profissionais tem vindo a trabalhar esta atualização através de projetos nacionais e europeus. No site da associação surgem iniciativas como Educa 4.0, GreenComp4Hosts e MiCRET, que apontam para o mesmo tema: as profissões técnicas estão a mudar, e a formação tem de acompanhar.
O desafio está em fazer esta atualização sem perder o lado prático que distingue o ensino profissional.
O que traz o Educa 4.0?
O Educa 4.0 é apresentado pela ANESPO como um projeto para implementar princípios da Indústria 4.0 e critérios ESG nas escolas profissionais. O objetivo é adaptar modelos de ensino e gestão aos desafios da transição digital e sustentável. Na prática, isto significa levar para as escolas temas como ferramentas digitais, metodologias de inovação, sustentabilidade, gestão mais eficiente e novas competências para alunos, docentes e equipas de direção. O projeto tem como destinatários escolas profissionais, equipas pedagógicas, alunos, parceiros e entidades do ecossistema educativo e empresarial.
Porque entram as competências verdes?
A sustentabilidade saiu do campo estritamente ambiental. Está a entrar em setores como turismo, hotelaria, indústria, energia, construção, mobilidade e serviços. O projeto GreenComp4Hosts, em que a ANESPO participa, parte desse princípio. A iniciativa Erasmus+ procura integrar o GreenComp nos currículos de Ensino e Formação Profissional, sobretudo no domínio do turismo, para apoiar profissionais, estudantes e pequenas empresas no caminho para um turismo mais digital e sustentável. Entre os resultados previstos estão um quadro pedagógico adaptado, ferramentas com estudos de caso, um MOOC sobre competências de sustentabilidade e recomendações para prestadores de ensino e formação profissional.
E as microcredenciais?
Outro projeto relevante é o MiCRET, lançado em 2025 e com duração prevista de 36 meses. Segundo a ANESPO, o projeto quer combater a escassez de mão de obra qualificada no setor das energias renováveis através de um quadro europeu para microcredenciais. A ideia é tornar algumas competências mais reconhecíveis, acumuláveis e transferíveis entre países. O projeto prevê "learning pills", programas especializados e mecanismos de reconhecimento transfronteiriço. No dia 10 de julho de 2026, a ANESPO participa também no webinar MiCRET Microcredentials Thermometer, que analisa o estado das microcredenciais em vários países europeus e inclui uma sessão sobre Portugal com intervenção da ANQEP.
O que muda para alunos e escolas?
Para os alunos, esta evolução pode significar cursos mais próximos das novas tarefas do mercado. Para as escolas, obriga a rever equipamentos, metodologias, parcerias e formação de professores. As Jornadas Pedagógicas 2026 da ANESPO, marcadas para 9 e 10 de julho na Escola Profissional de Carvalhais, também seguem esta linha. O encontro propõe discutir o futuro do ensino profissional com o Catálogo Nacional de Qualificações e os Centros Tecnológicos Especializados na agenda. O ponto principal é simples: o ensino profissional não pode formar para profissões como se elas estivessem paradas. Se as empresas mudam tecnologia, processos e critérios de sustentabilidade, as escolas precisam de se mexer no mesmo ritmo.