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Ensino profissional ainda enfrenta estigmas. Financiamento e falta de professores também pesam

Bizpliz!
24 jul., 11:00

A ANESPO tem levado estes temas para webinars, projetos europeus e espaços de diálogo com escolas e entidades públicas

O ensino profissional ganhou espaço em Portugal, mas continua a viver com algumas tensões. Há mais procura por técnicos, mais discurso público sobre qualificações e mais empresas a dizer que precisam de jovens preparados. Ao mesmo tempo, persistem estigmas, dificuldades de financiamento e falta de professores em áreas técnicas.

A ANESPO - Associação Nacional de Escolas Profissionais está no centro desta discussão porque representa entidades proprietárias de escolas profissionais em todo o país. A associação é particular, sem fins lucrativos e de âmbito nacional, segundo os seus estatutos. O seu trabalho passa por representar escolas, apoiar associadas, promover formação, acompanhar políticas públicas e criar espaços de partilha sobre problemas que muitas escolas vivem isoladamente.

## Porque é que o financiamento preocupa as escolas?

As escolas profissionais dependem de regras, candidaturas, calendários e reembolsos que afetam a gestão diária. Quando há atrasos, mudanças de calendário ou dúvidas administrativas, a pressão chega à escola.

Em julho de 2025, a ANESPO organizou uma sessão com o Pessoas 2030 sobre candidaturas dos cursos profissionais. A associação referia então preocupações das associadas com a antecipação das candidaturas para julho, quando normalmente abriam em setembro, e previa também discutir saldos e reembolsos de candidaturas anteriores.

Em janeiro de 2026, voltou a realizar um webinar com o Conselho Diretivo do Pessoas 2030 para fazer o ponto de situação dos processos de candidaturas dos cursos profissionais e dos CEF, incluindo encerramento de candidaturas, reembolsos e contratação pública.

## E a falta de professores?

A escassez de professores também chega ao ensino profissional. Aqui, há ainda um desafio específico: encontrar docentes e formadores com experiência técnica, capacidade pedagógica e ligação a setores que mudam rapidamente.

A ANESPO participa no projeto europeu Teacher Acquisition, uma iniciativa Erasmus+ com início em 2024 e duração de 24 meses. O projeto quer responder à escassez de professores no Ensino e Formação Profissionais na Europa, apoiando a transição de profissionais da indústria para a docência. A iniciativa prevê identificar métodos usados em vários países, criar um quadro de competências para professores de ensino profissional, desenvolver um programa de indução para profissionais de segunda carreira e produzir recomendações políticas.

## Como se mede a realidade dos docentes?

Outro projeto relevante é o EVTS, Inquérito Europeu aos Professores do Ensino e Formação Profissional, promovido pelo Cedefop. A ANESPO participa no grupo de trabalho que definiu a metodologia. O inquérito decorre entre novembro de 2025 e setembro de 2026 e incide sobre condições de trabalho, necessidades de desenvolvimento profissional e desafios colocados pelas transições digital e verde. Este tipo de recolha é importante porque permite discutir políticas com base em informação mais concreta. Sem dados sobre professores, carga de trabalho, formação e necessidades, o debate fica demasiado dependente de perceções.

## O estigma ainda existe?

Existe, embora já não tenha a mesma força de há décadas. Algumas famílias continuam a associar ensino profissional a uma escolha menos ambiciosa. Mas essa leitura é cada vez menos compatível com a realidade de muitas empresas, que precisam de técnicos qualificados, e com o próprio desenho dos cursos profissionais, que permitem trabalhar ou prosseguir estudos.

A ANQEP refere que existem percursos de dupla certificação para jovens, permitindo concluir ensino básico ou secundário através de uma aprendizagem mais prática, associada a uma profissão, com possibilidade de continuar a estudar ou integrar o mercado de trabalho.

O desafio é mudar a perceção pública sem cair em slogans. O ensino profissional não é melhor nem pior por definição. É uma via diferente, com exigências próprias, que precisa de qualidade, financiamento estável, professores preparados e ligação real ao mercado.
 

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